O governo brasileiro alertou para possíveis impactos da decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Em documento enviado à Câmara dos Deputados, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirma que a medida pode abrir espaço para ações unilaterais do governo norte-americano, incluindo, em último caso, o uso de força militar em território brasileiro.
No documento, encaminhado em resposta a um pedido de informações do deputado Evair de Melo (PP-ES), o chanceler destaca que a classificação pode permitir a aplicação de sanções administrativas, financeiras, migratórias e penais contra pessoas, empresas e instituições brasileiras, mesmo sem ligação direta com os Estados Unidos.
Segundo Mauro Vieira, o governo brasileiro não foi comunicado oficialmente sobre a decisão e se posicionou contra a medida. Para o ministro, enquadrar facções criminosas como organizações terroristas não trará benefícios ao combate ao crime e representa riscos à soberania nacional.
A manifestação ocorre poucos dias após o governo do presidente Donald Trump anunciar as primeiras sanções contra brasileiros e empresas apontados como ligados ao PCC. Entre os alvos estão o empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada e Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, além de três empresas brasileiras e uma companhia sediada em Portugal.
As sanções determinam o bloqueio de bens e ativos localizados nos Estados Unidos, além de outras restrições financeiras previstas na legislação norte-americana.



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