BRASÍLIA - Com a necessidade de quorum alto e 41 votos sim para derrubar seu afastamento do mandato na sessão marcada para esta terça-feira, o senador afastado (PSDB-MG) enfrenta uma situação dramática com a perda de apoios nos últimos dias, o que será agravado ainda mais com o grande número de senadores que devem estar bem longe do Brasil nos próximos dias e ficarão livres de votar no que pode ser visto como um enfrentamento ao (STF).
Hoje o site do Senado registra o afastamento de 13 senadores, de licença ou em viagens oficiais. O líder do Democratas, Ronaldo Caiado (GO), ficará fora 15 dias de licença médica. No final de semana ele caiu de uma mula que adestrava e quebrou o ombro esquerdo. O líder do governo e presidente do PMDB, Romero Jucá (RR), também de licença médica, só retorna na quarta-feira. Mas por enquanto a sessão está mantida.
A presidente do PT, Gleisi Hoffman (PR), ré no Supremo Tribunal Federal (STF) com acusação de ter recebido R$1 milhão de desvios da Petrobras, não terá que dar satisfações por votar contra Aécio. Ela integra missão na Rússia, junto com outros sete senadores, em São Petersburgo, de 12 a 18 de outubro, a 137ª Assembleia Geral da União Interparlamentar (UIP). O PT decidiu votar em peso contra Aécio, mas muitos estão viajando. O presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), abriu o encontro, mas já retornou ao Brasil.
Também viajaram a Rússia os senadores Gladson Cameli (PP-AC), Vanessa Graziottin (PcdoB-AM), Jorge Viana (PT-AC) e Sérgio Petecão (SD-AC). O senador Antônio Anastasia (PSDB-MG), aliado de Aécio, teve requerimento aprovado para integrar a delegação, mas decidiu ficar no País para acompanhar as articulações para a votação de amanhã. Com requerimento aprovado em plenário para integrar a missão oficial a Rússia, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) não viajou e vai participar da sessão.
Marido da senadora petista, o ex-ministro Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann foram vaiados por turistas brasileiros durante visita ao Museu Hermitage, em São Petersburgo, segundo a coluna de Sônia Racy, no Estadão.
Outros quatro senadores estão em Roma e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Em Roma está a senadora Fátima Bezerra (PT-RN). Ela foi participar da cerimônia de canonização de novos santos feita pelo Papa Francisco nesse final de semana.
Com voto tido como certo contra Aécio, o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) ficará livre do constrangimento de votar pelo afastamento do colega de partido. Ele integra uma missão oficial junto com outros três senadores em Abu Dhabi: Roberto Muniz (PP-BA), Cristovam (PPS-DF) e Armando Monteiro (PTB-PE).
Monteiro encaminhou um ofício ao presidente Eunício Oliveira pedindo que adiasse a votação para a semana que vem, para que os quatro senadores pudessem votar. Mas Eunício está em trânsito de volta de São Petersburgo para o Brasil, e só chega a noite. Não há ainda resposta ao ofício. O requerimento de urgência aprovado em plenário, marcando a sessão para o dia 17, teria que ser derrubado para marcar outra data.
Já a senadora Ana Amélia (PP-RS) , decidiu cancelar viagem para Roma, onde participaria de um congresso de diabetes. Ele subiu a tribuna do Senado, hoje, para explicar o motivo de sua decisão de cancelar a viagem. E já anunciou que votará pela manutenção do afastamento de Aécio, lembrando que já tiveram coragem de votar pela cassação de Demóstenes Torres, Delcídio Oliveira e até a ex-presidente da República, Dilma Rousseff.
— O mais importante é ficar aqui e votar pelos interesses do País. E cada voto dado aqui precisa ser acompanhado pela sociedade — discursou Ana Amélia, defendendo a votação aberta, contra o voto secreto.
O senador Ronaldo Caiado ficará de licença médica pelos próximos 15 dias. No tombo da mula, ele fraturou o ombro esquerda e está com um aparelho de imobilização acoplado. “coisas de quem trabalha na roça”, disse Caiado em sua página nas redes sociais, explicando que caiu da mula quando estava adestrando o animal.

