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Congelar óvulos ou esperar? 'O nosso ovário ainda está no tempo da vovó que engravidava aos 16'

Estadão

Hoje, as mulheres entre 35 a 45 anos estão no auge de suas carreiras. Mas, para uma gestação, são consideradas "atrasadas". Isso acontece porque o "relógio biológico" feminino não acompanhou as mudanças da sociedade e as conquistas sociais das mulheres. A partir dos 35 anos, a reserva ovariana cai de forma mais intensa, assim como a qualidade dos óvulos.

Isso se reflete não apenas em maior dificuldade de engravidar, como maior chance de abortamento espontâneo e maior risco de síndromes, principalmente a síndrome de Down.

"O nosso ovário ainda está no tempo da vovó que engravidava aos 16 anos", diz a ginecologista Melissa Cavagnoli, especialista em reprodução assistida. A médica participou do painel Congelar, Planejar ou Esperar? As novas decisões sobre fertilidade na era moderna no São Paulo Innovation Week, festival global de tecnologia e inovação realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos. "O tempo é muito cruel com a nossa vida reprodutiva."

Nesse contexto, o congelamento de óvulos aparece como uma alternativa para mulheres que desejam adiar a decisão da gravidez e preservar a possibilidade de gestação, diz a ginecologista e obstetra especializada em alto risco Viviane Monteiro.

"O congelamento não anula os efeitos da idade, não garante uma gravidez, mas, sem dúvidas, amplia a margem de escolha da mulher", afirma a médica, que defende que não se deve criar uma "corrida contra o tempo" sobre a fertilidade feminina em mulheres que já estão vivendo um momento de grande ansiedade e expectativas.

O melhor momento para pensar sobre a possibilidade de congelamento de óvulos é aos 30 anos, afirma Melissa. A mulher começa fazendo uma avaliação da sua reserva ovariana para saber a quantidade e a qualidade de seus óvulos. A partir do resultado, pode decidir se quer congelar ou esperar.

Apesar de ser indicado congelar até os 35 anos, a ginecologista recomenda fazer o exame com cinco anos de antecedência para dar tempo de fazer vários ciclos de estimulação hormonal (para o congelamento dos óvulos), caso seja necessário. Previamente, não é possível saber quantos óvulos a mulher conseguirá congelar em cada ciclo. O ideal é conseguir congelar entre 15 a 20 óvulos, segundo Melissa, mas algumas mulheres não conseguem essa quantidade na primeira tentativa.

A quantidade também depende da idade, já que, quanto mais velha a mulher, pior é a qualidade dos óvulos e é preciso congelar mais unidades como garantia. "Uma mulher que congela 12 óvulos até os 35 anos tem uma chance de engravidar em torno de 75%; já uma mulher com 40 anos (que congela os mesmos 12 óvulos) tem uma chance em torno de 35%", explica Melissa.

Ela avalia que oferecer essa possibilidade de congelamento de óvulos para mulheres que aos 30 anos não querem ter filhos é ainda mais importante, para dar a elas a possibilidade de mudar de ideia futuramente.

Viviane cita ainda a importância do congelamento de óvulos em casos de doenças como o câncer, em que o tratamento causa infertilidade permanente ou provisória.

São Paulo Innovation Week

O São Paulo Innovation Week, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, encerra sua programação no Pacaembu e na Faap nesta sexta-feira, 15, e segue para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) ao longo do fim de semana. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar).

Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.

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