O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a soldado Gisele Alves Santana, chorou durante o interrogatório, afirmou ser tratado como “escravo” na prisão e disse que preferia morrer a continuar detido. O oficial nega o feminicídio e sustenta que Gisele tirou a própria vida.
“Eu não matei minha esposa. Eu sonho todo dia com ela aqui. A Gisele cometeu suicídio”, afirmou Geraldo durante o depoimento à Corregedoria da Polícia Militar. Em outro momento, declarou: “Eu não fiz isso. Eu tenho minha consciência tranquila, que eu não matei a minha esposa”.
Ao falar sobre a rotina no presídio Romão Gomes, onde está detido, o tenente-coronel reclamou da forma como é tratado e disse: “Eu sou um escravo. Só Deus sabe que eu tô sofrendo aqui dentro”.
Geraldo também afirmou que preferia estar morto a continuar preso. “Se Deus aparecesse na minha frente agora e me desse a opção de continuar preso ou continuar vivo, eu preferia morrer”, declarou.
Durante o interrogatório, o oficial admitiu ainda que apagava mensagens de discussões com Gisele. Segundo ele, o hábito não ocorria apenas com a esposa. “Eu sempre apagava mensagens. Sempre. Não só com a Gisele, mas com outros contatos também”, afirmou.
Questionado sobre mensagens em que se definia como “macho alfa” e chamava Gisele de “fêmea beta”, Geraldo disse que as expressões eram brincadeiras do casal relacionadas à vida sexual. Ele também confirmou que manteve relações sexuais com a esposa antes da morte e explicou que inicialmente omitiu a informação por considerá-la íntima.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal morava, no Centro de São Paulo. Segundo o Ministério Público, Geraldo teria usado a própria arma para matar a esposa e simular um suicídio.
O tenente-coronel nega a acusação e afirma que Gisele tirou a própria vida. Um laudo complementar do Instituto de Criminalística, divulgado em setembro, apontou elementos materiais que, segundo os peritos, contradizem a hipótese de suicídio e indicam feminicídio.
Geraldo é réu por feminicídio e fraude processual e será interrogado pela Justiça em 5 de outubro, no Fórum Criminal da Barra Funda.
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