BRASÍLIA - O presidente Michel Temer deve apresentar sua defesa à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara nesta quarta-feira, dia 5 de julho, um dia antes de viajar para a reunião de cúpula do G20, que ocorre em Hamburgo, na Alemanha. Segundo interlocutores do governo, Temer não irá pessoalmente à Câmara se defender, o que ficará a cargo de seu advogado e amigo pessoal, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira.
O conteúdo da defesa que o presidente apresentará aos deputados terá como foco argumentos de que a denúncia não tem consistência e foi construída em cima de provas ilícitas, o que geraria nulidades no processo. Por isso, Temer pedirá que os parlamentares rejeitem a denúncia. Mesmo que vença na CCJ, o relatório ainda deve ser votado no plenário. No governo, interlocutores do presidente repetem com frequência que o desafio é da oposição, que precisa de 342 votos para que a denúncia siga para o Supremo Tribunal Federal (STF).
— Hoje não há preocupação. É bom lembrar que é a oposição tem que juntar 342 votos, o trabalho é deles. O governo está esperançoso — disse um interlocutor próximo a Temer.
Apesar de ainda não ter conseguido quorum na Câmara para que comece a correr o prazo de até dez sessões a quem tem direito a defesa de Temer, o presidente não está preocupado com os prazos. A preocupação do governo é dar celeridade depois de apresentada a defesa, o que vai envolver um trabalho da articulação política do governo junto aos deputados da base. A ideia é uma ofensiva para que fiquem em Brasília às sextas e segundas-feiras, dias em que a capital costuma ficar esvaziada.
— A nossa preocupação é depois de apresentada a defesa, aí sim teremos que trabalhar para manter os deputados em Brasília na segunda e na sexta — afirmou um assessor do governo.

