A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (15), o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), apontado pelos investigadores como articulador político de uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.
A prisão ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura um esquema que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A investigação também resultou na prisão do delegado Marcus Amim, ex-secretário da Polícia Civil do Rio, e de outros agentes públicos.
Segundo a PF, Canella atuaria como elo entre os interesses políticos, agentes públicos e o núcleo econômico do grupo. Os investigadores suspeitam que ele tenha usado sua influência para facilitar a indicação de pessoas ligadas à organização para cargos estratégicos na administração pública.
Entre os casos citados está a nomeação de Marcus Amim para a presidência do Detran-RJ e, posteriormente, para a Secretaria de Polícia Civil. Conforme a investigação, Canella teria articulado uma alteração legislativa para viabilizar a indicação.
A apuração também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas. De acordo com a PF, Canella recebeu cerca de R$ 2,59 milhões em créditos entre maio de 2025 e abril de 2026, incluindo valores cuja origem não foi esclarecida pelos bancos. Anotações apreendidas pelos investigadores também apontariam repasses em dinheiro vivo.
A operação investiga uma estrutura que teria utilizado postos de combustíveis para ocultar recursos de origem criminosa. Ao todo, a Justiça autorizou seis prisões preventivas e 16 mandados de busca e apreensão em sete municípios fluminenses, além do bloqueio de bens e da suspensão das atividades de 112 empresas ligadas à rede investigada.
Os suspeitos poderão responder por crimes como organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel, conforme a participação de cada um.
A defesa de Canella informou que ainda não havia tido acesso à decisão judicial e afirmou confiar na Justiça. As investigações seguem em andamento.
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