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Do balcão do Detran à picape de frete: réu por 14 processos era achado em três dias pela reportagem

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul emplacou mais uma denúncia contra Gênis Garcia Barbosa, ex-gerente de agência do Detran-MS. Na terça-feira (4), o juiz Roberto Ferreira Filho, da 1ª Vara Criminal de Campo Grande, aceitou a acusação e concedeu dez dias para as primeiras defesas. Além dele, foram denunciados os servidores Bedson Rodrigues Machado e Abner Aguiar Fabre e os despachantes David Clocky Hoffaman Chita e Leandro César de Matos Sória. O processo trata de 36 fraudes ligadas à inclusão irregular de um quarto eixo em semirreboques — o mesmo tipo de conduta de uma ação aberta há cerca de um mês. No total, Gênis responde a pelo menos 14 processos criminais.

A ascensão dele no órgão de trânsito é o fio que costura a investigação. Filiado ao PP de Sidrolândia, foi nomeado por indicação política em abril de 2016, quando Gerson Claro presidia o Detran-MS, e atuou como "voluntário" na campanha que elegeu Claro deputado estadual em 2018. Em 27 de fevereiro de 2019, 26 dias após a posse do parlamentar, assumiu a gerência da agência do Aero Rancho, com salário quase 80% maior. Segundo o MP, foi desse posto que passou a alterar indevidamente registros de veículos com restrição, mediante propina.

Claro nega qualquer ligação com o ex-servidor: afirmou à reportagem do Midiamax que deixou o Detran em 2017 e que os fatos apontados são posteriores. Sua saída ocorreu depois de ser preso e solto no mesmo dia, em agosto de 2017, na Operação Antivírus; a ação penal contra ele segue parada, à espera de perícia. Em março de 2019, contudo, servidores denunciaram ao jornal que o órgão virara "cabide de emprego" para aliados eleitorais dele — e, na ocasião, o deputado admitiu manter influência sobre a nomeação de comissionados para chefias. Outro réu, David Chita, chegou a ser preso no fim do ano passado, hoje usa tornozeleira e tentou, em 2024, delatar o que descreveu como um esquema de blindagem envolvendo políticos e autoridades.

Alvo de buscas da Justiça há cerca de cinco anos, Gênis driblava oficiais com mudanças repentinas de endereço, conforme relato de um promotor — mas o núcleo investigativo do Midiamax o encontrou em três dias, fazendo fretes de picape em Sidrolândia, base eleitoral de Claro, onde mantém vida social ativa. Após simular a contratação de um serviço, o repórter se identificou; o ex-comissionado então afirmou morar em outro estado, disse ter recomeçado a vida em outra área e negar contato com pessoas do Detran-MS. Sobre as acusações de propina, prometeu se informar antes de responder e disse desconhecer os processos. O MPMS não se manifestou até a publicação, e as defesas dos demais denunciados não foram localizadas.

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