Documentos da investigação sobre o Banco Master revelam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantinha relações com integrantes do alto escalão do Banco Central (BC) e teria obtido benefícios e informações de interesse de sua instituição. Os detalhes vieram a público após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo do caso na noite desta quinta-feira (10), atendendo a um pedido do presidente da Corte, Edson Fachin.
Entre os nomes citados pela Polícia Federal (PF) estão Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização e ex-chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do BC, e Belline Santana, ex-chefe de supervisão da instituição.

A PF aponta que Vorcaro teria intermediado a compra de uma propriedade rural avaliada em R$ 4,8 milhões envolvendo Paulo Sérgio e o irmão dele, Luis Roberto. As mensagens apreendidas também indicam que o ex-banqueiro teria providenciado uma viagem à Disney para o ex-diretor do BC e seus familiares.
Em uma das conversas analisadas, Paulo Sérgio agradece a Vorcaro pela viagem e informa que estava prestes a embarcar. Segundo a investigação, o ex-banqueiro chegou a procurar um contato para organizar um guia para a família durante a estadia.
Pagamentos sob investigação
Belline Santana também aparece no material apreendido pela PF. Segundo um relatório da corporação, ele teria sido beneficiário de pagamentos que chegaram a R$ 760 mil.
As mensagens indicam que os valores eram tratados entre Vorcaro e terceiros. Em outubro de 2024, Leonardo Palhares aparece em uma conversa como destinatário de recursos que, conforme a PF, teriam Belline como beneficiário final.
A investigação busca esclarecer a origem e a finalidade desses pagamentos, além de apurar suspeitas de manipulação de documentos e acesso indevido a informações do Banco Central.
Com a decisão de Mendonça, documentos que estavam sob sigilo passaram a ser públicos e expuseram detalhes das relações mantidas por Vorcaro com integrantes e ex-integrantes da autoridade monetária.




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