A Polícia Civil de São Paulo deflagrou nesta segunda-feira (1º) uma operação para investigar a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), suspeita de irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões por ano com a Prefeitura de São Paulo para implantação de uma rede de wi-fi público. O instituto pertence à empresária Karina Ferreira da Gama, também sócia de uma produtora de cinema responsável por um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a investigação, o contrato firmado com a gestão municipal previa a instalação de 5 mil pontos de internet gratuita na capital paulista até junho de 2025. No entanto, apenas cerca de 3.200 pontos teriam sido efetivamente implantados, enquanto sucessivos aditivos contratuais elevaram o valor total do acordo para R$ 157 milhões, mesmo sem a entrega integral do serviço.
A apuração aponta ainda suspeitas de sobrepreço, repasses considerados indevidos e possível uso irregular de recursos públicos. Entre os indícios citados pela polícia estão pagamentos sem a devida contraprestação, contratação de empresas subcontratadas com valores questionados e possíveis inconsistências em documentos fiscais apresentados na prestação de contas do projeto.
Durante a operação, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados à ONG, à empresária e também na Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia, responsável pela fiscalização do contrato. A polícia recolheu computadores, celulares, documentos e notas fiscais que agora serão analisados no curso das investigações.
Em nota, a Prefeitura de São Paulo afirmou que colabora com as investigações e que o programa segue em funcionamento, negando irregularidades no contrato. Já a defesa da empresária Karina Gama declarou que ainda não houve conclusão definitiva sobre eventuais irregularidades e que todos os esclarecimentos serão prestados às autoridades. O caso segue sob investigação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo.



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