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Exame detecta trombose venosa profunda em Dona Marisa

SÃO PAULO - Um exame de ultrassom realizado na ex-primeira-dama Marisa Letícia identificou a presença de trombose venosa profunda dos membros inferiores, segundo boletim médico divulgado nesta terça-feira, uma semana após a mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter sofrido um AVC (acidente vascular cerebral) hemorrágico.

De acordo com o informe, após o exame feito na última segunda feira, foi realizada a passagem de um filtro de veia cava inferior com o objetivo de prevenir a ocorrência de embolia pulmonar. O quadro clínico permanece estável.

Ainda segundo o boletim, desde a admissão hospitalar até hoje, Dona Marisa permanece com controle neurointensivo, “apresentando melhora progressiva dos parâmetros evolutivos neurológicos”.

“A paciente permanece estável do ponto de vista cardiovascular, com níveis normais de pressão arterial sem necessidade de utilização de medicamentos (...), apresentando ecocardiograma seriadamente normal. Não há anormalidades na coagulação, função renal ou hepática”, diz a nota.

A ex-primeira-dama, de 66 anos, passou mal no apartamento em que mora em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, no início da tarde de 24 de fevereiro.

Trombose é o nome que se dá à formação de um coágulo dentro de uma veia, que ocorre principalmente nas pernas. O coágulo aparece quando o sangue para de circular, o que pode acontecer pela falta de movimentação dos músculos, comum em um paciente internado há uma semana. Segundo médicos ouvidos pelo GLOBO, o principal método para evitar e tratar trombose em um paciente internado é o uso de anticoagulantes. Mas esses medicamentos são contraindicados para quem teve hemorragia, como dona Marisa.

— O fato de o paciente estar internado e acamado faz com que o sangue corra mais lentamente, o que é um fator que contribui para o sangue parar e coagular. Mas, no caso da dona Marisa, como ela teve um AVC hemorrágico, há uma contraindicação para tomar anticoagulante, que é o principal medicamento para prevenir a trombose — afirma Diego Alvares, especialista em cirurgia endovascular.

Os anticoagulantes não são indicados para quem teve AVC porque eles poderiam manter o sangramento. O tratamento mais indicado, segundo Alvares, é instalar um filtro na veia cava, que liga os membros inferiores ao coração e ao pulmão. A trombose não envolve risco de morte, mas pode se tornar perigosa, caso o coágulo chegue até os pulmões, causando a embolia pulmonar. O procedimento, que foi feito em dona Marisa, segundo o hospital, evita que isso aconteça.

— A trombose não é incomum em pacientes idosos, que estão acamados e que passaram por operação grave. São três os fatores principais que levam à coagulação do sangue dentro das veias: uma alteração da coagulabilidade sanguínea (constituição do sangue), uma lesão na veia ou uma estase venosa (quando o sangue para de circular) — afirma Ivanésio Merlo, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

De acordo Merlo, um AVC promove um quadro de inflamação, o que altera a constituição do sangue e pode levar à trombose.

Também são fatores de risco para a trombose casos da doença na família, tabagismo, obesidade, sedentarismo, tratamentos hormonais e uso inadequado de anticoncepcionais, o que faz com que mulheres sejam mais afetadas do que homens.

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