O novo sistema da Receita Federal, que substituiu a antiga Dirf pelo cruzamento de dados via eSocial e EFD-Reinf, tem gerado uma série de problemas para os contribuintes neste ano. A mudança, que deveria modernizar e simplificar o processo, acabou provocando inconsistências nos dados enviados pelas empresas e resultou em um aumento expressivo de declarações retidas.
Até o dia 23 de abril, mais de 1 milhão de documentos foram parar na malha fina, o que representa 6,96% do total entregue. Desses, cerca de 257 mil contribuintes foram diretamente afetados por falhas ligadas ao novo programa. O impacto foi maior entre aqueles que utilizaram a declaração pré-preenchida, já que os dados fornecidos pelas empresas não coincidiram com os informes de rendimentos.
Essa divergência levou milhares de contribuintes a terem suas declarações retidas, mesmo sem irregularidades próprias. A Receita Federal reconheceu os problemas, mas classificou a situação como “administrável”. Segundo o órgão, ajustes já estão sendo feitos e muitas declarações podem ser liberadas automaticamente após correções. A orientação é que os contribuintes confiram seus informes de rendimentos e, em caso de divergência, solicitem a retificação às empresas responsáveis.
Apesar disso, especialistas e entidades empresariais criticam a falta de um período de transição. Para eles, a manutenção da Dirf em paralelo ao novo sistema poderia ter evitado falhas tão grandes. O novo modelo exige maior precisão e atualização constante, o que aumentou a carga de trabalho das empresas e, consequentemente, a chance de erros.



