SÃO PAULO. O empresário Jorge Gerdau Johannpeter, que integrou o conselho de administração da Petrobras durante 13 anos, entre 2001 e 2014, afirmou que os conselheiros sabiam que havia orientação política nas indicações para a diretoria da estatal, mas não tinham detalhes do vínculo dos executivos com os partidos políticos. Gerdau, que depôs ao juiz Sergio Moro na condição de testemunha de defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que não havia preocupação por parte dos conselheiros porque a maioria dos nomes apresentados para a diretoria executiva da Petrobras vinha das áreas técnicas e tinham 20 anos, 30 anos de casa.
- (Eu) Sabia que vinha com orientação política, mas não qual era o tipo de vínculo. Eram nomes de pessoas de carreira dentro da Petrobras, com 20, 30 anos de casa - disse o empresário, acrescentando que a pré-seleção tinha participação do governo, que era o controlador da empresa, mas não caracterização "de qual e tal partido".
O conselho da Petrobras é o responsável para eleger a diretoria da estatal. Gerdau, que participou dele durante três governos - Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff confirmou que os diretores Nestor Cerveró, Paulo Roberto Costa e Renato Duque foram eleitos por unanimidade pelos conselheiros, incluindo o representante dos sócios minoritários.
Gerdau disse que os conselheiros recebiam o currículo que que não havia nada que desabonasse as escolhas. Confirmou ainda que a Petrobras tinha sistemas de auditoria interna e externa e que foi criado, inclusive, um comitê de auditoria dentro do conselho de administração.
Moro citou a troca do diretor Nestor Cerveró por Jorge Zelada, na diretoria internacional, e perguntou se havia alguma explicação para a substituição.
- Não houve nenhuma explicação, não me recordo. Com o histórico profissional, não havia havia preocupação; Qualquer currículo vinha com um histórico de profissionalismo bastante importante, não havia motivo para estranhar a troca - afirmou o empresário.

