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‘Há 30 anos se faz isso’, afirma Emilio Odebrecht

BRASÍLIA - Emilio Odebrecht, patriarca do grupo empresarial que leva seu nome, afirmou em delação premiada que os esquemas de corrupção investigados ocorrem “há 30 anos”, que era uma “coisa normal” alimentada pela ânsia dos partidos em arrecadar recursos para bancar os políticos.

– O que nós temos no Brasil não é um negócio de cinco, dez anos. Estamos falando de 30 anos atrás. Então tudo que está acontecendo era um negócio institucionalizado, era uma coisa normal, em função de todos esses números de partidos. Eles brigavam era por cargos? Não, era por orçamentos gordos. Ali os partidos colocavam seus mandatários com a finalidade de arrecadar recursos para o partido, para os políticos. Há 30 anos que se faz isso.

Emilio afirmou que, mesmo distante do dia a dia da empresa, não conseguiu transferir para o filho, Marcelo, relacionamentos importantes com quatro pessoas: Antonio Carlos Magalhães, falecido, o então presidente da Venezuela Hugo Chávez, o presidente de Angola, José Eduardo Santos, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O delator disse que “procurava influenciar” autoridades importantes, em um dos vídeos da delação prestada a procuradores da República no âmbito da Operação Lava-Jato.

Emilio Odebrecht relatou a procuradores que procurou Luiz Inácio Lula da Silva para pedir que o então presidente atuasse junto ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, em mudanças na MP do Refis que favoreceram a Braskem, empresa do grupo. Segundo ele, a intervenção ocorreu em 2009 a pedido do filho, Marcelo Odebrecht, que queria saber o que era preciso “ser dado de força” para Mantega “deslanchar o assunto”.

– Então fui ao Lula e pedi a ele que procurasse verificar porque o Guido estava botando dificuldade para resolver o assunto, se estava precisando coragem ou se estava precisando de alguma coisa que nós pudéssemos suprir a ele ou o próprio governo pudesse suprir – afirmou Odebrecht, repetindo o que ouviu do filho:

– Por favor, verifique o que é preciso ser dado de força, o que é preciso para Guido deslanchar esse assunto.

Emilio narrou que pediu a Lula para interferir nas mudanças da MP, que efetivamente foram feitas, segundo as informações que recebeu. O empresário destacou que não tinha conhecimento aprofundado do pleito e apenas repassou o pedido de Marcelo, já que, pelo que tudo indicava, intervenções anteriores não haviam surtido efeito:

– Ele (Lula) ouviu e disse: 'vou falar com Guido para verificar, qualquer coisa eu lhe digo'.

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