O influenciador digital Jefferson de Souza tornou-se o centro de uma investigação policial em São Paulo por um esquema que mistura tecnologia e violação de privacidade. Ele é suspeito de capturar fotos de mulheres e adolescentes da Congregação Cristã do Brasil (CCB) e, por meio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), transformar essas imagens em vídeos onde as vítimas aparecem em poses sensuais ou contextos eróticos, tudo sem qualquer autorização.
Em seus perfis oficiais, Jefferson mantinha um discurso moralista, publicando vídeos que criticavam severamente as roupas das fiéis nos cultos, alegando que os vestidos eram "colados demais". No entanto, nos bastidores, ele utilizava a técnica de deepfake para submeter essas mesmas mulheres a montagens degradantes, sob a justificativa de que o conteúdo era apenas "humor" para atrair novos seguidores e gerar engajamento.
O caso tomou proporções criminais quando uma estudante de 16 anos e sua família decidiram denunciar o abuso. Na montagem criada pelo influenciador, a imagem da adolescente foi manipulada para que ela aparecesse sensualizando ao lado de outras figuras femininas. Por envolver uma menor de idade, o inquérito foca no crime de simulação de cena pornográfica infantil por meio digital, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além de apurar possíveis crimes de difamação contra as demais vítimas.
Embora o investigado tenha divulgado um vídeo pedindo perdão à liderança da igreja pelas críticas aos costumes, ele não mencionou os danos causados às mulheres que tiveram suas imagens erotizadas. A defesa do influenciador alega que o material se tratava de "sátira", mas autoridades e especialistas em crimes cibernéticos reforçam que a tecnologia não é um salvo-conduto para a violência de gênero ou a exposição indevida de menores, sendo o criador plenamente responsável pelo conteúdo gerado e distribuído.



