O setor de saneamento básico alcançou em 2024, o terceiro recorde anual consecutivo de investimentos, totalizando R$ 29,1 bilhões (alta de 9% em relação à 2023), segundo o "Panorama da Universalização do Saneamento 2026", apresentado nesta segunda-feira, 10, pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon).
A associação atribui a trajetória de alta investimentos ao Novo Marco do Saneamento, com 70 leilões realizados entre 2020 e junho de 2026, com R$ 227,5 bilhões em investimentos contratualizados, e outros 31 projetos em estruturação estimados em R$ 32,0 bilhões, ao mesmo tempo que indica que o ritmo de crescimento ainda convive com gargalos.
O levantamento aponta avanço no acesso à infraestrutura e mostra que de 2019 a 2025, o número de domicílios com acesso à rede de abastecimento de água chegou a 68,3 milhões e aumentou 14% e o de domicílios com rede de esgoto cresceu 20%, chegando a 56,4 milhões, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
Ainda assim, a cobertura não se traduz automaticamente em desempenho ambiental. Ainda que o volume total tratado tenha subido 5% de 2023 para 2024, em 2024, apenas 51,8% dos esgoto gerado no País foi tratado.
"Os dados mostram que a gente saiu de uma inércia no setor, mas que os desafios ainda existem para serem enfrentados ... Precisamos que o saneamento encontre espaço na agenda política do governo", afirmou a diretora-presidente da Abcon durante apresentação dos dados.
Já a universalização do atendimento de água teria sido alcançada por 780 municípios (32% da população estimada), enquanto a universalização de coleta e tratamento de esgoto (90%) teria sido atingida por 321 (20% da população prevista).
O relatório também mostra uma falta de dados, com 1.107 municípios não tendo dados sobre a capacidade de alcançar metas de água e 1.431 não têm informações equivalentes para esgoto. Entre os municípios sem metas contratualizadas, 34% não possuem plano municipal de saneamento e 62% não responderam ao Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), segundo o relatório.
O relatório mostra ainda que a presença privada no setor continua a avançar, com atuação em 2.720 municípios até junho de 2026 (48,8% do total), e participação de 32,4% nos investimentos do setor em 2024, ante 15,1% em 2020, segundo a Abcon.




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