Em sua primeira manifestação pública após ter o nome barrado pelo Senado Federal para o Supremo Tribunal Federal (STF), o advogado-geral da União, Jorge Messias, adotou um tom resiliente e republicano. O indicado do presidente Lula não alcançou a maioria absoluta necessária nesta quarta-feira (29), recebendo 42 votos contrários e 34 favoráveis.
Apesar de ter passado por uma sabatina de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Messias viu sua indicação ser derrubada no Plenário em uma votação secreta. Ao falar com a imprensa, o ministro buscou minimizar o desgaste político e ressaltou seu respeito às instituições.
"Sou grato aos votos que recebi. Acho que cada um de nós cumpre um propósito e eu cumpri o meu. Vim hoje, participei, me submeti a uma sabatina de coração aberto, de alma leve. Falei a verdade, o que penso, o que sinto", declarou.
Messias pontuou que a alternância entre sucessos e reveses é inerente à vida pública e à democracia. "A vida é assim, tem dias de vitórias e dias de derrotas. Nós temos que aceitar. O Plenário do Senado é soberano", afirmou, acrescentando que é preciso "saber ganhar e saber perder".
Com o resultado negativo, a mensagem presidencial com a indicação de Jorge Messias será formalmente arquivada. O desfecho obriga o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a reiniciar o processo de escolha para a vaga deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso.
Até que um novo nome seja enviado e aprovado pelo Senado — rito que exige novamente sabatina e 41 votos favoráveis —, a Corte seguirá desfalcada, operando com dez ministros.



