A Justiça do Rio Grande do Sul tornou réus, na última sexta-feira (28), os pais de Oliver Grayson, de 3 anos, morto após ser agredido pelo pai em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Os dois estão presos preventivamente.
O pai da criança, o missionário norte-americano D’Andre Grayson, de 33 anos, responderá por homicídio qualificado com dolo eventual e quatro crimes de tortura. Já a mãe, Mayanna Angelina Rodgers, foi denunciada por quatro crimes de tortura por omissão.
As acusações contra Mayanna relacionadas ao homicídio foram arquivadas. Segundo a denúncia do Ministério Público, as quatro crianças da família foram submetidas a agressões físicas e psicológicas entre o início de 2024 e julho de 2026, em diferentes períodos em São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
O pai é acusado de agredir os filhos com socos, tapas, mordidas e golpes com fios e cordas, sob a justificativa de aplicar castigos. A mãe, conforme a investigação, teria conhecimento das agressões, presenciado episódios de violência e deixado de impedir os ataques ou procurar as autoridades.
Morte de Oliver
Oliver foi agredido dentro da casa da família, em Viamão, no dia 5 de julho. Conforme o MP, D’Andre teria atacado o menino após se irritar porque ele não havia lhe dado “bom dia”.
A criança teria recebido socos e batido a cabeça contra o chão, sofrendo um traumatismo cranioencefálico grave. Oliver morreu três dias depois, em 8 de julho.
O homicídio foi denunciado com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foram consideradas as circunstâncias de Oliver ter menos de 14 anos e ser filho do acusado.
A investigação aponta que as agressões contra os filhos ocorreram de maneira repetida. As quatro crianças que sobreviveram, com idades entre 1 e 9 anos, foram retiradas da guarda dos pais e estão acolhidas.
O Ministério Público também pediu a perda do poder familiar dos pais e o pagamento de uma indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais.
As defesas dos acusados contestam as acusações. A defesa de D’Andre afirmou que apresentará argumentos para garantir um julgamento justo. Já os advogados de Mayanna sustentam que a acusação de tortura por omissão não é classificada como crime hediondo e informaram que vão buscar a liberdade dela.




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