Uma das principais dores de cabeça do Palácio do Planalto ganhou data para acabar. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom da cobrança e anunciou, nesta quinta-feira (11), que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) tem a meta de eliminar a fila de espera por benefícios até setembro deste ano.
O cumprimento da promessa, que se arrasta desde a posse do mandatário, carrega um forte peso político: o governo tenta desatar o nó da Previdência às vésperas da campanha para as eleições presidenciais.
"Quero dar os parabéns à nova presidenta do INSS, que prometeu para mim que, até o mês de setembro, ela vai zerar a famosa fila", declarou Lula.
O Planalto vinha sofrendo um severo desgaste de imagem por conta da demora na concessão de aposentadorias e auxílios, um prato cheio para os discursos da oposição. A insatisfação culminou, em abril, na demissão de Gilberto Waller e na nomeação da servidora de carreira Ana Cristina Viana Silveira para comandar a autarquia.
A estratégia de colocar uma técnica com visão sistêmica do órgão começou a dar reflexos nos indicadores monitorados pelo Ministério da Previdência:
Estoque de pedidos: O volume de requerimentos caiu de 3,1 milhões em fevereiro para os atuais 2,2 milhões — uma redução de 29% em apenas três meses;
Tempo de espera: O prazo médio para a conclusão das análises despencou de 59 dias em fevereiro para 40 dias em abril;
O menor patamar: A fila atual é a menor registrada pelo governo nos últimos 17 meses.
Embora o governo celebre a aceleração dos processos, o Ministério da Previdência pondera que "zerar a fila" significa processar os pedidos dentro do prazo legal de 45 dias, já que a autarquia recebe uma avalanche de 1,3 milhão de novos requerimentos mensalmente.
Além disso, a gestão destaca que mais de 20% do atraso atual (cerca de 528 mil casos) trava na burocracia dos próprios segurados, que deixam de anexar documentos obrigatórios ou precisam cumprir exigências cadastrais.
A dança das cadeiras no INSS reflete um período turbulento. O ex-presidente Alessandro Stefanutto foi demitido no ano passado e acabou preso pela Polícia Federal após a eclosão de um esquema bilionário de fraudes que desviou R$ 6,3 bilhões de aposentados entre 2019 e 2024.
Gilberto Waller assumiu com a missão de "limpar a casa" e estancar os desvios, tarefa na qual foi bem-sucedido. Contudo, por não ser um especialista operacional do setor, não conseguiu dar agilidade ao fluxo de atendimento.
A escolha de Ana Cristina, chancelada pelo ministro Wolney Queiroz, foi baseada no seu histórico no Conselho de Recursos da Previdência, onde conseguiu dobrar a capacidade de análise do órgão. Agora, ela corre contra o relógio para entregar o resultado prometido a Lula antes que o calendário eleitoral aperte.




Aviso