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Lula e Flávio Bolsonaro confrontam propostas e trocam acusações em debate decisivo na TV Globo

Lula e Flávio Bolsonaro confrontam propostas e trocam acusações em debate decisivo na TV Globo

Na noite desta sexta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) protagonizaram um debate decisivo na TV Globo. O confronto ocorreu em um momento crítico da disputa, um dia após a divulgação da pesquisa Datafolha que apontou empate técnico entre os dois candidatos, com 50% dos votos válidos cada (margem de erro de dois pontos percentuais). O embate foi visto pelas campanhas como a última grande oportunidade para atrair eleitores indecisos.

Troca de acusações e ofensas pessoais

O clima entre os presidenciáveis esquentou no segundo bloco do debate. Após ser chamado por Flávio Bolsonaro de "nove dedos", Lula reagiu e chamou o adversário de "miliciano", exigindo retratação.

"Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos", afirmou o presidente, relembrando o acidente de trabalho que sofreu aos 17 anos e criticando a irresponsabilidade patronal.

Flávio pediu desculpas pelo termo utilizado, declarando que não tinha a intenção de ofender. No entanto, o senador voltou a atacar a trajetória do petista, afirmando que o primeiro emprego de Lula teria sido "falso" e criticando o valor do reajuste do Bolsa Família. Em resposta, Lula acusou o adversário de desrespeitar a população de baixa renda ao se referir ao benefício social como "Bolsa Farelo".

Infraestrutura, economia e independência do Banco Central

A infraestrutura foi um dos pontos centrais de discussão. Flávio Bolsonaro citou dados do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre mais de 11,5 mil obras paralisadas, classificando o país como um "grande cemitério de obras". Lula rebatendeu afirmando que herdou 6 mil obras paradas da gestão anterior e destacou os investimentos do Novo PAC, orçado em R$ 1,7 trilhão.

No campo econômico, a autonomia do Banco Central e as políticas monetárias também geraram divergências:

  • Autonomia do BC: Lula questionou a necessidade da independência da instituição, enquanto Flávio defendeu a medida como essencial para conter o descontrole fiscal de "presidentes gastadores".

  • Transporte e Salário Mínimo: Lula questionou a posição do adversário sobre a tarifa zero nos transportes aos fins de semana — medida que Flávio declarou apoiar. Em contrapartida, o candidato do PL criticou a carga tributária do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e prometeu reajustes do salário mínimo acima da inflação.

  • Modelos de Gestão: Flávio argumentou que as ideias de Lula "funcionavam nos anos 2000, mas hoje não resolvem os problemas do país". Lula, por sua vez, defendeu o legado de suas gestões e destacou medidas recentes, como o perdão de dívidas e a elevação do teto para Microempreendedores Individuais (MEIs).

Região Norte e Amazônia

A discussão sobre o Norte do país começou com fortes críticas de Lula à condução da pandemia de Covid-19 pela gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, citando a crise de oxigênio em Manaus. O petista recomendou que o adversário pesquisasse no Google sobre os investimentos realizados na Amazônia.

Flávio ironizou a recomendação ("Lula, quem é que governa o Brasil, é você ou é o Google?") e apresentou suas propostas para a região:

  • Conclusão de obras de saneamento básico em Belém.

  • Solução para entraves ambientais no asfaltamento da Transamazônica.

  • Preservação e ampliação da Zona Franca de Manaus com foco em data centers e produção de fertilizantes a partir do gás natural.

  • Autonomia para povos indígenas decidirem sobre suas terras.

Lula replicou afirmando que o governo anterior deixou a Amazônia desprotegida e desassistiu populações indígenas e quilombolas.

Desenvolvimento do Nordeste

O debate também reservou espaço para a disputa pelo eleitorado nordestino. Lula questionou o interesse de Flávio pela região, afirmando que a população do Nordeste passou a ter "cidadania e respeito" a partir de seus governos, destacando as obras da Transposição do Rio São Francisco e da ferrovia Transnordestina.

Flávio rebateu afirmando que a gestão do pai concluiu etapas da transposição do São Francisco e garantiu o auxílio de R$ 600. Como promessa de campanha, o senador anunciou o projeto de uma ferrovia conectando todas as capitais nordestinas, de São Luís (MA) a Salvador (BA), e declarou que manterá diálogo com governadores de oposição na região.

Com o encerramento do debate, os candidatos entram na reta final da campanha em busca do voto decisivo na eleição mais acirrada das últimas décadas.

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