Seis anos após o início da maior crise sanitária da história do país, o Brasil oficializa um marco para não esquecer as mais de 716 mil vidas perdidas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta segunda-feira (11), a lei que institui o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19, a ser celebrado anualmente em 12 de março.
A escolha da data é simbólica: remete ao falecimento de Rosana Aparecida Urbano, técnica de enfermagem e primeira vítima oficial da doença no país, em 2020. A cerimônia no Palácio do Planalto reuniu associações de familiares que, além da homenagem, cobraram justiça contra profissionais de saúde e autoridades que propagaram desinformação durante a crise.
Em um discurso incisivo, Lula classificou a condução da pandemia pelo governo de Jair Bolsonaro — atualmente em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado — como "desastrosa". O presidente direcionou críticas específicas a segmentos da classe médica que endossaram tratamentos sem eficácia comprovada, como a cloroquina.
"Temos que dizer em alto e bom som a quantidade de médicos que receitavam cloroquina e a quantidade de gente que dizia que a vacina fazia as pessoas virarem jacaré. Se a gente não der o nome, as pessoas não serão conhecidas", afirmou Lula.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, reforçou que a data servirá como um momento de reflexão contínua para evitar que os erros logísticos, especialmente a demora na compra de vacinas, se repitam em futuras emergências globais.
Além do simbolismo da data, o governo apresentou dados que indicam a retomada da confiança do brasileiro no Programa Nacional de Imunizações (PNI). Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil encerrou 2025 com a melhor cobertura vacinal dos últimos nove anos.
Avanço Infantil: Em 2023, os índices de vacinação infantil estavam abaixo de 80%.
Cenário Atual: Graças a parcerias com estados e municípios, a cobertura de imunizantes para crianças ultrapassou a marca de 90%.
Como parte dos esforços de preservação histórica, o governo relembrou o lançamento do Memorial da Pandemia, inaugurado no mês passado no Rio de Janeiro. O espaço, que recebeu investimentos de R$ 15 milhões para recuperação, funciona no Centro Cultural do Ministério da Saúde e serve como ponto de visitação e tributo permanente às vítimas.



