A prisão de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, em Joinville (SC), revelou um método calculado para aplicar golpes em pelo menos seis estados. Para conseguir ser "adotada" por famílias e mantê-las sob manipulação, a acusada estudava minuciosamente o comportamento infantil na internet e reproduzia essas características para dar credibilidade às suas personagens.
Em Nova Iguaçu (RJ), onde já havia sido presa pelo mesmo crime, uma testemunha relatou que Amanda fazia verdadeiros laboratórios de atuação: "Ela pesquisava como se comportar como autista e como fazer desenhos que indicavam abuso sexual", explicou.
Em Santa Catarina, onde conviveu por 14 meses com uma família fingindo ser uma menina de 12 anos, ela colocava em prática o que estudava: forjava crises de pânico noturnas, afinava a voz e simulava extrema carência afetiva baseada em relatos de abuso e sustentava o visual utilizando mamadeiras, chupetas e um pano de apego ("cheirinho") para dormir.
Ela também atribuía sua fisionomia mais velha a supostas sequelas de "tratamentos hormonais forçados" e usava o medo de um falso "pai abusador" para convencer a família a não matriculá-la na escola, evitando exposição.
Segundo a Polícia Civil, essa capacidade de mimetizar a infância e o sofrimento resultou em um "sequestro emocional" da família. A farsa só foi descoberta após uma parente desconfiar da aparência de Amanda e encontrar na internet o histórico de golpes idênticos que ela já havia aplicado em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.



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