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O que se sabe sobre o caso de Larissa Morata, mulher de PM encontrada morta em SP

Estadão

A técnica em radiologia Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, foi encontrada morta no domingo, 6, na casa onde morava, em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo.

O marido dela, o soldado Vinicius Costa Silva, de 26 anos, foi preso na segunda-feira, 7, e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes (PMRG). Ele passará por audiência de custódia nesta terça-feira, 8.

Quem era Larissa da Cruz Morata?

Larissa morava havia pouco mais de um mês em uma casa no bairro Chácaras Bartira, em Embu das Artes, com Silva e o filho do casal, de dois anos. Antes, a família morava em Itapecerica da Serra.

Em 2019, ela concluiu um Tecnólogo em Radiologia no Centro Universitário FAM. Em seu perfil no LinkedIn, a jovem se descrevia como "apaixonada pela área da saúde e em cuidar do próximo". Entre suas principais qualidades, apontava ser "responsável, proativa e dedicada".

Entre 2022 e 2024, Larissa trabalhou em uma fundação como técnica em Radiologia, atuando em carretas móveis e no setor de mamografia. Atualmente, ela trabalhava em uma farmácia em Taboão da Serra, da qual era proprietária junto com Silva.

O que diz a defesa do policial?

O advogado Roberto Montanari Custódio, que representa a defesa de Silva, afirmou, em nota enviada ao Estadão , que o soldado "jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho".

Custódio disse que a situação é "uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal". Segundo ele, a defesa entregará aos policiais "conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento".

"A defesa considera esse material relevante para a adequada compreensão do contexto e para o esclarecimento dos fatos", afirmou. Custódio acrescentou ainda que Silva confia que a investigação irá "esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa".

O que diz o boletim de ocorrência?

Segundo o boletim de ocorrência, Larissa foi encontrada caída no banheiro da casa onde morava, por volta das 11h de domingo. Ela tinha um ferimento na cabeça provocado por arma de fogo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi acionado e confirmou a morte da jovem.

Uma arma, que pertencia a Silva, foi encontrada sob o corpo de Larissa. No banheiro também estavam um coldre, um carregador, munições e um estojo de munição.

O que Silva diz que aconteceu?

Em depoimento à Polícia Civil, Silva alegou que a Larissa tirou a própria vida. Segundo o soldado, os dois retomaram, na manhã de domingo, uma conversa sobre pôr fim ao relacionamento, mas a mulher "começou a chorar e ficou bastante abalada".

Ele disse que a abraçou e tentou acalmá-la. Após a conversa, o homem alegou ter ido dormir, até ser acordado por um estrondo muito forte que, inicialmente, pensou ser o som de um vidro quebrando.

O policial disse ter ouvido um desenho infantil na sala e acreditado que o filho pudesse ter quebrado um copo ou algum objeto. Ao chegar ao cômodo, porém, encontrou o menino brincando.

Ele perguntou onde estava Larissa e, segundo seu relato, foi informado de que ela estava tomando banho. Silva foi até o banheiro, que fica atrás de uma estrutura do guarda-roupa com espelho no quarto do casal, e encontrou Larissa caída.

O soldado afirmou ter tentando se aproximar, mas ficou "extremamente abalado" com a cena. Segundo o policial, sua primeira ação foi ligar para o 190 para acionar equipes policiais e atendimento médico. Após a chegada dos policiais, ele afirmou que entrou em contato com familiares de Larissa.

Por que o policial foi preso?

A delegada responsável pela investigação, Bruna Caracho Crippa, pediu a prisão temporária de Silva após a médica legista que realizou os exames necroscópicos apontar "dados curiosos" em relação ao trajeto do projétil que atingiu Larissa.

"A médica legista observou alguns dados curiosos em relação ao trajeto e à trajetória desse projétil e à forma como essa moça, essa mulher veio a óbito", disse Bruna em trecho de uma entrevista à imprensa exibida pela TV Globo.

"Somados também a outras razões que nós colhemos aqui durante as investigações preliminares, à colaboração dele em relação aos fatos, às oitivas que nós tivemos aqui na delegacia, formei o juízo de convicção e decidi representar pela prisão temporária dele", acrescentou.

Como estão as investigações?

O caso foi registrado como morte suspeita na Delegacia de Polícia de Embu das Artes, com a observação de "dúvida razoável quanto a tratar-se de suicídio", e segue sendo investigado.

A arma de Silva foi apreendida. A Polícia Científica realizou perícia na residência, e foram solicitados exames nas mãos de Larissa e Silva, além de exames balísticos na arma e análises dos demais vestígios recolhidos.

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