O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu nesta segunda-feira, 11, críticas de bolsonaristas sobre a fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a marca de produtos de limpeza Ypê. Opositores do governo condicionam a decisão da agência em suspender a venda de um lote de detergentes ao fato de a família que controla a fábrica da empresa ter feito doações para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição de 2022. "A Anvisa não tem lado partidário, o único lado que a Anvisa tem é o da saúde das famílias brasileiras", afirmou Padilha.
O ministro da Saúde também criticou vídeos de influenciadores bolsonaristas que aparecem bebendo detergente para ironizar o apontamento de risco de contaminação microbiológica nos lotes da Ypê, conforme foi apontado pela Anvisa. Segundo Padilha, a agência está estudando ações jurídicas para combater as gravações.
"Extrema direita é responsável por tudo o que aconteceu durante a pandemia da covid-19, uma parte da extrema direita que está tendo uma atitude irresponsável agora por conta de uma decisão inicial da Anvisa em relação à circulação de um detergente, fazendo vídeo irresponsável, bebendo detergente. Acho que eles esquecem que crianças assistem a esses vídeos", afirmou Padilha.
O ministro da Saúde também disse que vigilantes municipais de Amparo (SP), do governo do Estado de São Paulo e da Anvisa identificaram que a fábrica que produz os detergentes não fez correções previamente apontadas. Por isso, a suspensão da venda dos lotes foi uma medida de precaução.
"Vigilantes identificaram na última visita que fizeram neste ano que várias correções que haviam sido determinadas não foram feitas e que, por isso, recomendaram, por precaução, como tem que ser feito na área da saúde e, por precaução, decidiram pela suspensão da circulação desses produtos", disse o ministro da Saúde.
Hantavírus
O ministro da Saúde também afastou a possibilidade de haver uma pandemia de hantavírus no Brasil, após o surto que ocorreu no cruzeiro MV Hondius, que deixou três mortos. Segundo Padilha, os sete casos que ocorreram no Brasil neste ano não possuem ligação com o navio. Além disso, ele declarou que o sistema de saúde tem conhecimento do vírus, diferentemente do contexto da origem da covid-19.
"Aqui no Brasil, nós temos uma série histórica que varia com dezenas de casos todos os anos, em torno de 30, 35, 40 casos. No último período, em torno de 38 casos nos últimos anos. Nesse ano, nós temos sete casos que não tem qualquer relação com o surto do cruzeiro, qualquer relação com a cepa andina, que é a cepa responsável por esses casos dentro desse cruzeiro. Essa cepa andina nunca circulou no Brasil", declarou.
Visto negado
O ministro foi perguntado sobre a possibilidade de ele ter o visto para os Estados Unidos retomado após o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano, Donald Trump, na Casa Branca, na última quinta-feira, 7. Padilha, a mulher dele e a filha de 10 anos tiveram os acessos ao país suspensos em agosto do ano passado, por uma retaliação de Washington ao programa Mais Médicos.
Padilha declarou que não está preocupado em poder visitar ou não os Estados Unidos e que isso não é uma "questão pessoal". Ele ainda atacou o governo Trump, dizendo que Washington faz uma gestão "irresponsável" do sarampo, e pediu que brasileiros que desejam ir ao país para a Copa do Mundo se imunizem.
"A preocupação que eu tenho com os Estados Unidos, hoje, é a forma irresponsável como conduziram a questão da vacinação do sarampo, das vacinas infantis. Vai receber a Copa do Mundo agora. Por isso, eu quero alertar, mais uma vez, a quem for para a Copa do Mundo, tem a garantia da vacina contra o sarampo", disse o ministro.



