O pai de Henry Borel, Leniel Borel, entrou com uma queixa-crime contra o coronel da reserva Jairo Souza Santos, pai do ex-vereador Dr. Jairinho, condenado pelo homicídio da criança em 2021. A ação aponta que o militar teria cometido calúnia, difamação e injúria em publicações feitas nas redes sociais.
O juiz Gustavo Gomes Kalil, da 21ª Vara Criminal do Rio, recebeu a ação nesta quarta-feira (3), entendendo que há indícios mínimos para abertura do processo. Com isso, o coronel será citado e terá dez dias para apresentar resposta. O Ministério Público também se manifestou favoravelmente à continuidade da ação.
Segundo a defesa de Leniel, as declarações feitas em transmissões online extrapolaram o direito à crítica e atingiram diretamente sua honra. Em uma live de novembro de 2025, por exemplo, o pai de Jairinho afirmou: “O judiciário absorve qualquer bobagem que ele fala. Ele é um acusador impotencial, com suspeita de culpa no cartório. Mas ele prevalece o 171 dele, prevalece o que ele fala. E agora ele até amedronta os outros, agora ele é até brabo.”
Para os advogados, expressões como “171” — termo popularmente usado para se referir a estelionatário — e “acusador impotencial, com suspeita de culpa no cartório” configuram imputações falsas de crime e reforçam a ofensiva contra Leniel, que se tornou figura pública ao buscar justiça pela morte do filho e atuar em pautas ligadas à proteção da infância.
O magistrado destacou que o recebimento da queixa não significa reconhecimento de culpa, já que a análise sobre a intenção de caluniar, difamar ou injuriar dependerá da produção de provas ao longo do processo. Esse novo capítulo amplia os desdobramentos jurídicos do caso Henry Borel e evidencia os conflitos que ainda cercam a repercussão da tragédia.



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