O laudo da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) afastou a hipótese de estupro no caso da morte de uma bebê de 10 meses encontrada sem vida em Fortaleza na segunda-feira (13/7). Segundo o exame, divulgado nesta sexta-feira (17/7), a causa da morte foi asfixia, resultado que contradiz a avaliação inicial feita pelo hospital que atendeu a criança.
O que dizem os exames
De acordo com nota da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), os testes toxicológicos realizados no sangue da bebê não detectaram álcool nem drogas. Também não foram encontrados vestígios de sêmen ou material genético dos dois homens presos no corpo da criança. O exame sexológico concluiu que não houve violência sexual.
Com esse resultado, a linha investigativa mudou: a SSPDS informou que a principal hipótese agora é a de morte por asfixia, e não mais crime sexual.
Como as prisões aconteceram
A Polícia Civil do Ceará explicou que a prisão em flagrante dos dois homens — o companheiro da mãe da bebê, de 22 anos, e um primo dele, de 26 anos — havia sido baseada em um relatório médico do hospital particular onde a criança foi socorrida. O documento, assinado por quatro emergencistas pediátricos e dois cardiologistas, apontava sinais considerados compatíveis com abuso sexual, o que levou à autuação inicial por estupro.
Após o laudo da Pefoce e a continuidade das investigações, a Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) reclassificou o caso como homicídio culposo, descartando oficialmente a violência sexual.
Relembre o caso
A bebê morreu no dia 13 de julho, depois de ser levada pela mãe a um hospital de Fortaleza. Em depoimento, a mãe contou que percebeu a filha passando mal durante uma confraternização em um apartamento e pensou que ela estivesse engasgada, decidindo levá-la ao hospital, onde a criança acabou morrendo.
A equipe médica, ao identificar lesões que pareciam indicar abuso sexual, acionou a polícia, e o caso passou a ser investigado como estupro de vulnerável seguido de morte. Os dois suspeitos foram presos no mesmo dia, apresentando sinais de embriaguez, segundo a polícia. As prisões em flagrante foram posteriormente convertidas em preventivas pela Justiça, e ambos permanecem detidos em celas separadas por motivos de segurança.
Em seu depoimento, a mãe relatou ter conhecido o companheiro poucos dias antes do episódio, após participar de uma festa de aniversário da família dele, seguida de uma confraternização em um apartamento no bairro Dionísio Torres. Ela disse que dormia em uma rede com a filha, mas levou a bebê para um quarto por causa da tosse causada pelo ar-condicionado. Segundo seu relato, após uma discussão com o primo do companheiro, perdeu a consciência e, ao acordar, encontrou a filha em posição diferente, vendo o homem próximo à criança — momento em que o empurrou, pegou a filha e saiu em busca de ajuda.




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