Relatórios da Polícia Federal enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam novos indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pode ter tido acesso a informações sigilosas antes de sua prisão. O foco da investigação é uma anotação encontrada no celular de Vorcaro, — horas antes da operação policial —, na qual o advogado Walfrido Warde afirma estar “infernizando” a vida do juiz Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília.
Na época, o magistrado Ricardo Leite era o responsável pelas investigações em primeira instância e foi quem autorizou a prisão do banqueiro. A mensagem reforça a tese dos investigadores de que a defesa de Vorcaro monitorava de perto os passos do juiz em busca de dados protegidos por segredo de Justiça. Daniel Vorcaro chegou a ser preso naquela ocasião, mas foi solto dez dias depois por um habeas corpus.
O cenário jurídico em torno do banqueiro sofreu mudanças drásticas nos últimos meses. Walfrido Warde deixou o caso pouco antes da segunda prisão de Vorcaro. Nesta sexta-feira (14), foi a vez de Pierpaolo Bottini abandonar a defesa, sendo substituído por José Luis Oliveira Lima. A troca sucessiva de defensores aumentou as especulações nos bastidores do Judiciário de que o banqueiro estaria articulando um acordo de delação premiada.
Em nota, o escritório Warde Advogados negou qualquer irregularidade, afirmando que a informação sobre o inquérito na 10ª Vara Federal partiu do próprio cliente e de outros escritórios parceiros. A defesa alegou que a tentativa de contato com o magistrado foi feita por meio de petição conjunta e pedidos de audiência, seguindo estritamente as prerrogativas legais da advocacia. O escritório enfatizou que nunca participou da obtenção de dados sigilosos e classificou qualquer sugestão em contrário como caluniosa. O juiz Ricardo Leite não se manifestou sobre o teor das mensagens até o momento.

