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Pré-candidatos à Presidência apontam gravidade na revelação de documento da CIA

BRASÍLIA - O presidente da Câmara e pré-candidato do DEM à Presidência, deputado RodrigoMaia (DEM-RJ), disse nesta sexta-feira que é "estarrecedor" o conteúdo de documento de um ex-diretor da CIA afirmando que o então presidente Ernesto Geisel sabia da execução de 104 opositores da ditadura militar durante o governo Médici. Maia, que viveu no Chile devido ao exílio de seu pai, César Maia, destacou a surpresa com a contundência dos dados, como a existência de 104 mortes.

— Que durante a ditadura ocorreram centenas de mortes e torturas, eram fatos de amplo conhecimento público. Mas que esses fatos tivessem sido respaldados pelos próprios presidentes (Médici e Geisel), isso é estarrecedor — disse Maia ao GLOBO.

A candidata da Rede a presidente, Marina Silva, disse que há ainda um "enorme desafio" de se obter toda a verdade sobre o período do regime militar. Marina, em declaração repassada por sua assessoria, classificou de "assombrosa e repugnante" a revelação, mas acrescentou não ser uma surpresa atrocidades e violência em regimes de exceção.

“Ainda que assombrosa e repugnante, não traz nenhuma surpresa, a notícia de que a execução de centenas de presos políticos tiveram autorização e respaldo da presidência durante a ditadura. Como é típico dos regimes autoritários, sejam de direita ou de esquerda, a violência e as atrocidades não têm como ocorrer sem contar com a participação daqueles que ocupam o mais alto escalão. Ainda temos um enorme desafio para acessar a verdade sobre os casos de tortura, morte e desaparecimento desse período triste e traumático da história do nosso país. Precisamos encarar este processo como uma etapa necessária para passar a história do Brasil à limpo e contribuir efetivamente para consolidar nossa democracia”, disse Marina, por meio de nota.

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, considerou muito grave a revelação. Por meio de nota, Ciro disse que é preciso "resistir aos extremismos".

“Esta revelação, se confirmada, é muito grave. Joga luz sobre um período da nossa História que não devemos esquecer jamais. E serve para mostrar a todos o que não devemos repetir para o futuro. Temos que resistir aos extremismos e lutar sempre na defesa da democracia, que ainda é o melhor regime entre todos os outros”, disse Ciro Gomes.

O Palácio do Planalto está agindo com cautela diante das informações. Interlocutores do presidente Michel Temer consideram prematura qualquer posicionamento, ressaltando que é preciso ainda ter mais informações sobre a fonte do documento, vítima de vazamento.

Para outros interlocutores, trata-se de uma situação desconfortável do ponto de vista atual, onde há a atuação das Forças Armadas dentro das regras democráticas. Tanto que o governo Temer decidiu fazer uma intervenção federal na área da Segurança Pública do Rio, colocando militares para comandar a operação. Na época em que Temer decidiu pela intervenção, houve críticas sobre o poder que estava sendo dado aos militares, mas as Forças Armadas se apressaram em ressaltar que agiam dentro da Constituição e das regras democráticas.

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