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Reeleição de Lula amplia desafio fiscal e exige ajustes de R$ 20 bilhões no Orçamento

Reeleição de Lula amplia desafio fiscal e exige ajustes de R$ 20 bilhões no Orçamento
Lula - Foto: Ricardo Stuckert

O governo federal precisará reorganizar cerca de R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para financiar benefícios e medidas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a campanha eleitoral. A estimativa do Ministério do Planejamento e Orçamento indica que os recursos terão de ser redistribuídos para acomodar as despesas previstas para o próximo ano.

O valor representa pouco mais de 1% das despesas primárias submetidas ao limite de gastos do governo. Segundo a equipe econômica, o remanejamento deverá ocorrer sem ultrapassar o teto de despesas estabelecido pelo arcabouço fiscal.

Entre as iniciativas que exigirão recursos estão o reajuste do Bolsa Família, a ampliação do programa Pé-de-Meia para estudantes universitários e a terceira edição do Desenrola, voltada à renegociação de dívidas. Lula também prometeu criar o Pix MEI, com transferências de até R$ 5 mil para microempreendedores individuais.

Outra proposta apresentada pelo presidente prevê transporte público gratuito aos fins de semana. A medida depende de tramitação legislativa e prevê o uso de parte dos recursos destinados às emendas parlamentares para financiar a gratuidade.

Ajustes e pressão sobre as contas públicas

O Ministério do Planejamento afirma que as mudanças serão feitas dentro das regras fiscais e que a meta de resultado primário para 2027 será mantida. No entanto, ainda não foram detalhadas quais despesas poderão ser reduzidas ou remanejadas para liberar os recursos necessários.

A proposta orçamentária de 2027 foi encaminhada ao Congresso Nacional antes do anúncio de parte das medidas, o que exigirá ajustes durante a tramitação do projeto.

Além das despesas previstas, o governo também terá de lidar com a perda estimada de R$ 5,3 bilhões em arrecadação em 2027 relacionada ao fim das apostas esportivas, segundo os dados divulgados na reportagem.

O conjunto de medidas anunciado durante o mandato e a campanha mobiliza valores ainda maiores quando são incluídas operações de crédito, renúncias tributárias e recursos fora do orçamento. Um levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, estimou em R$ 298,4 bilhões o volume associado a essas iniciativas em 2026. Esse montante, porém, reúne medidas de naturezas diferentes e não corresponde exclusivamente a despesas diretas do governo.

Economistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que a necessidade de reorganizar as contas reforça o desafio de conciliar os programas sociais e os compromissos assumidos pelo governo com o controle das despesas públicas.

A definição das mudanças dependerá da tramitação do Orçamento no Congresso e da indicação de quais medidas terão prioridade na distribuição dos recursos.

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