SÃO PAULO — A secretária de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, Patrícia Bezerra, entregou o cargo na noite desta quarta-feira por discordar da ação policial realizada na Cracolândia. Vereadora pelo PSDB, Patrícia assumiu a pasta em janeiro deste ano e, após o pedido de afastamento, retornará à Câmara Municipal.
— Não concordo com o que foi feito no domingo. Foi desastrosa a ação de domingo — declarou a então secretária, em vídeo divulgado pela página Craco Resiste —Se for um dia para optar por um lado, governo ou minoria, nós temos o nosso lado já escolhido. Não estou preocupada se isso põe em risco a minha cadeira. A minha cadeira está à disposição de quem quiser sentar nela.
Patrícia pediu demissão após autorizar uma ocupação na secretaria municipal de Direitos Humanos de Cidadania, localizada no centro de São Paulo. De acordo com a página Craco Resiste, os ocupantes exigem uma audiência pública com Filipe Sabará, secretário de Assistência Social, o fim da "ocupação militar" na região e ajuda na localização de pessoas desaparecidas durante a operação realizada no domingo.
Em nota oficial, divulgada pelo portal G1, Patrícia se dirige diretamente ao prefeito João Doria para explicar o porquê de sua saída. “Sr. Prefeito, diante das dificuldades que tenho enfrentado há algum tempo para dar prosseguimento à agenda de direitos humanos e ao atendimento humanizado à população mais vulnerável de São Paulo, deixo o cargo, mas nunca a convicção em uma cidade que garanta o respeito à pessoa humana”, afirmou.
No domingo, as polícias Civil e Militar de São Paulo prenderam 53 pessoas em operação realizada na Cracolândia. Foram apreendidos quase R$ 50 mil em espécie, duas máquinas de cartão de crédito, 12 quilos de crack e quantidades menores de outras drogas. Agentes da prefeitura determinaram que alguns imóveis fossem lacrados. No entanto, alguns usuários já . Na terça-feira, três pessoas ficaram feridas após a demolição de um dos prédios da região. O prefeito pediu à Justiça que facilitasse o processo de internação compulsória de usuários de drogas, mas a Defensoria Pública conseguiu liminar .

