Um servidor da Prefeitura de Tacuru, em Mato Grosso do Sul, foi afastado após a divulgação de um áudio em que sugere colocar veneno na água consumida por indígenas. A gravação, que circulou nas redes sociais após o segundo turno das eleições presidenciais, motivou uma denúncia à Polícia Federal (PF) e a abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) pela administração municipal.
No áudio, o homem utiliza expressões ofensivas contra os indígenas e defende que eles sejam mortos por meio do envenenamento da água. As ameaças teriam como alvo moradores da Aldeia Sassoró, localizada no município.
"'Tem que matar essas pragas na água. Por veneno na água e matar todos", diz o homem em um trecho.
O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou que a gravação é de um funcionário da prefeitura e anunciou o afastamento preventivo do servidor enquanto o caso é apurado. Segundo o gestor, o funcionário atua no setor de infraestrutura e trabalha com um caminhão-caçamba, não sendo responsável pela distribuição de água às comunidades.
“Esse servidor, um excelente servidor, inclusive, trabalha na infraestrutura, com caminhão-caçamba. De antemão, até o momento a gente não foi intimado por nenhuma esfera. Nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”, diz Rogério.
O Ministério dos Povos Indígenas (MPI) encaminhou uma denúncia à Polícia Federal na segunda-feira (26), solicitando a identificação dos envolvidos, a apuração de possíveis crimes e a adoção de medidas para garantir a segurança dos moradores. Até o momento, não há comprovação de que a água consumida pela comunidade tenha sido contaminada.
O caso foi denunciado por representantes indígenas, que classificaram as declarações como racistas e ameaçadoras. O cacique e vereador Ivan Montiel afirmou que pretende buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) também acionou órgãos federais e relatou outras ocorrências de violência e ameaças contra indígenas no estado, incluindo suspeitas de envenenamento da água em outras comunidades.
Diante das denúncias, o governo federal mobilizou órgãos para acompanhar os casos. Os ministérios dos Povos Indígenas, dos Direitos Humanos e da Igualdade Racial articulam medidas para dar prioridade às investigações e reforçar a proteção das comunidades.
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul informou que não procede a afirmação de ocorrência de genocídio contra povos indígenas no estado e declarou que as forças de segurança atuam para preservar a ordem pública e prevenir conflitos.
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