O surto de ebola de crescimento mais rápido da história se espalhou para duas novas zonas de saúde no leste do Congo, com um total de 60 áreas afetadas, de acordo com os dados mais recentes do governo, divulgados nesta sexta-feira, 28.
As duas novas zonas afetadas são Biena e Manguredjipa, na província de Kivu do Norte, no Congo, onde a taxa de letalidade é muito superior à taxa geral de 48%, em parte devido à demora na resposta de combate, de acordo com dados do Ministério da Saúde do Congo.
Segundo o comunicado, o surto já registrou 5.794 casos confirmados, incluindo 2.786 mortes, e está se espalhando em uma velocidade sem precedentes, mais rápido do que os esforços para rastreá-lo e contê-lo.
O surto está se espalhando em condições extremamente difíceis, alimentado pela insegurança, deslocamentos, uma greve de profissionais de saúde e intensos movimentos populacionais.
A Organização Mundial da Saúde afirmou que ele permanece fora de controle e está a caminho de superar o surto de ebola na África Ocidental de 2014-2016, o mais mortal já registrado, que matou mais de 11.000 pessoas, principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa.
A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras anunciou nesta sexta-feira a abertura de um novo centro de tratamento em Beni, na província de Kivu do Norte, para permitir uma resposta mais rápida naquela que descreveu como uma das áreas mais afetadas.
Embora a grande maioria dos casos esteja concentrada na província de Ituri, no nordeste do país, Kivu do Norte apresenta uma taxa de mortalidade por Ebola próxima a 69%, uma das mais altas do país, segundo os dados mais recentes do governo.
O novo centro "permite o tratamento rápido de pacientes, fortalece o rastreamento de contatos e apoia as autoridades de saúde em seus esforços para conter a propagação do vírus", afirmou a organização Médicos Sem Fronteiras em um comunicado.
Na quinta-feira, 27, o Congo começou a vacinar profissionais de saúde e outros trabalhadores da linha de frente com a vacina Ervebo, que se mostrou eficaz em surtos anteriores de Ebola causados por um tipo diferente e mais comum, chamado Zaire.
Estão em andamento ensaios clínicos para encontrar uma vacina licenciada para o raro vírus Bundibugyo, causador do surto atual, para o qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.
Embora o surto atual tenha sido declarado em meados de maio, as autoridades acreditam que ele já vinha se espalhando desde fevereiro. A doença se disseminou de três zonas de saúde para quase 60, com a maioria dos casos e óbitos ocorrendo fora da rede de contatos monitorados e dentro das comunidades.
Os esforços para controlar o surto - desde a limitação de reuniões públicas ao distanciamento social e ao fechamento de aeroportos - perturbaram a vida nas seis províncias afetadas, particularmente em Ituri, que foi devastada pela violência rebelde.
O governo implementou medidas, incluindo a instalação de equipamentos de saúde e saneamento em alguns locais, mas grupos de defesa dos direitos civis afirmam que é preciso fazer mais para construir a confiança da comunidade.
Embora o país vizinho, Uganda, tenha se declarado livre do Ebola no mês passado, o risco de uma maior disseminação transfronteiriça permanece, afirmou a OMS na quarta-feira, 26.
A especialista da OMS, Marie Roseline Belizaire, afirmou que a República Centro-Africana é agora considerada o país com maior risco de contágio, seguida de perto pelo Sudão do Sul, uma vez que o surto no leste do Congo se expandiu em direção às áreas de fronteira.
*Com informações da Associated Press (AP).



Aviso