Alerta: a reportagem abaixo trata de temas como suicídio e transtornos mentais. Se você está passando por problemas, veja ao final do texto onde buscar ajuda.
Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (Pense), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela aspectos preocupantes sobre a saúde mental de adolescentes brasileiros, sobretudo das meninas.
De acordo com o levantamento, divulgado nesta quarta-feira, 25, 32% dos estudantes de 13 a 17 anos de idade, das escolas públicas e privadas do País, afirmaram já ter sentido vontade de se "machucar de propósito". Entre as meninas, entretanto, a porcentagem chega a 43,4%, contra 20,5% entre os meninos.
Segundo a Classificação Internacional de Doenças (CID), a automutilação é uma lesão autoinfligida intencionalmente, sem intenção de morte. Em 2024, foi a primeira vez que a pergunta foi incluída na pesquisa. Entretanto, os resultados estão em consonância com outras pesquisas nacionais sobre o tema da autolesão, segundo informaram os pesquisadores do IBGE.
Segundo o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde, da Fiocruz da Bahia, um levantamento sobre autolesão no Brasil, realizado no período de 2011 a 2022, a partir de registros do Ministério da Saúde, apontou que as taxas de notificações por autolesões na faixa etária de 10 a 24 anos aumentaram 29% a cada ano no período investigado; além disso, em 2022, as taxas de notificação de autolesão entre as mulheres foram mais do que o dobro das dos homens.
"Ainda que sejam metodologias diferentes, a vontade de se machucar de propósito, apontada pelos resultados da pesquisa, reflete uma ideação automutilatória do adolescente que pode se tornar ação: há um alerta nesses resultados que não pode ser ignorado", alertaram os especialistas do IBGE.
Tristeza, preocupação, irritação
A Pense mostrou ainda que uma a cada quatro meninas adolescentes (25%) considera que a "vida não vale a pena ser vivida"; mais que o dobro dos meninos (12%).
As diferenças entre os resultados das redes pública e privada também chamaram a atenção; observou-se que o porcentual de estudantes da rede pública que experimentaram sentimentos de falta de sentido para a vida foi de 19,4%, comparados a 13,9% dos estudantes da rede privada, evidenciando maior vulnerabilidade dos estudantes da rede pública.
"É notável que foram as meninas a se sentirem mais tristes, mais preocupadas, mais irritadas, nervosas ou mal-humoradas, que mais se machucaram intencionalmente, que mais perceberam que ninguém se preocupava com elas e que mais sentiram que a vida não valia a pena ser vivida", destacaram os pesquisadores.
Dentre as Grandes Regiões, o Norte (20,8%) apresentou a maior porcentagem do País para o indicador "vida não vale a pena ser vivida", enquanto as Regiões Sul e Sudeste (17,6%, ambas) posicionaram-se no extremo inferior dos resultados. As Unidades da Federação do Amazonas e do Amapá (23,9%, ambas) exibiram as porcentagens mais altas e os Estados do Rio Grande do Norte (15,3%) e do Rio Grande do Sul (15,1%) as mais baixas.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em todo o mundo um em cada sete adolescentes dos 10 aos 19 anos sofre de algum transtorno mental, o que representa cerca de 15% da carga global de doenças nessa faixa etária.
A depressão, a ansiedade e os problemas comportamentais estão entre os eventos mais frequentes. O suicídio é a terceira causa de morte na faixa dos 15 aos 19 anos.
Onde buscar ajuda
Se você está passando por sofrimento psíquico ou conhece alguém nessa situação, veja abaixo onde encontrar ajuda:
Centro de Valorização da Vida (CVV)
Se estiver precisando de ajuda imediata, entre em contato com o Centro de Valorização da Vida (CVV), serviço gratuito de apoio emocional que disponibiliza atendimento 24 horas por dia. O contato pode ser feito por e-mail, pelo chat no site ou pelo telefone 188.
Canal Pode Falar
Iniciativa criada pelo Unicef para oferecer escuta para adolescentes e jovens de 13 a 24 anos. O contato pode ser feito pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
SUS
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps) são unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) voltadas para o atendimento de pacientes com transtornos mentais. Há unidades específicas para crianças e adolescentes. Na cidade de São Paulo, são 33 Caps Infantojuventis.
Mapa da Saúde Mental
O site traz mapas com unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online. Disponibiliza ainda materiais de orientação sobre transtornos mentais.


