Início Cura pela Natureza A fruta amazônica que tratou cegueira noturna infantil em 20 dias — e o limite que a ciência não ultrapassa
Cura pela Natureza

A fruta amazônica que tratou cegueira noturna infantil em 20 dias — e o limite que a ciência não ultrapassa

A fruta amazônica que tratou cegueira noturna infantil em 20 dias — e o limite que a ciência não ultrapassa
Cachos de buriti (Mauritia flexuosa), palmeira típica de áreas alagadas da Amazônia

Chamado por moradores da Amazônia de "árvore da vida", o buriti (Mauritia flexuosa) é uma palmeira que cresce em áreas alagadas, como várzeas e igapós, do Amazonas a outros estados da região Norte e do Centro-Oeste. Praticamente toda a planta é aproveitada: a polpa do fruto vira suco, doce e sorvete, a seiva fermentada dá origem a uma espécie de vinho, as folhas viram cobertura de casas, fibra para redes e chapéus, e até um palmito é extraído do interior do caule.

O que diferencia o buriti de boa parte das frutas amazônicas é o volume de pró-vitamina A medido cientificamente: a polpa concentra em média cerca de 3.500 microgramas de equivalentes de retinol por 100 gramas, e o óleo extraído da fruta chega a cerca de 9.000 microgramas na mesma medida, com o betacaroteno respondendo pela maior parte desse total. A gordura do óleo também chama atenção por ser rica em ácido oleico, em proporção que supera a de azeites tradicionais.

Esse teor de vitamina A não ficou só no laboratório. Um estudo clínico com crianças de 4 a 12 anos com deficiência da vitamina mostrou que uma quantidade diária de 12 gramas de doce de buriti foi suficiente para reverter o quadro em apenas 20 dias — um resultado raro neste tipo de reportagem, por vir de um teste com pessoas, e não apenas de análise de laboratório.

Ainda assim, isso não transforma o buriti em remédio. O óleo se oxida com facilidade e perde valor nutricional se não for bem armazenado, e o uso tradicional da planta como vermífugo não tem confirmação científica robusta. A deficiência de vitamina A pode causar danos sérios à visão quando não tratada, e o diagnóstico e o acompanhamento dessa e de outras condições de saúde exigem avaliação médica ou nutricional — o consumo do fruto não substitui esse cuidado.

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