Início Cura pela Natureza A semente amazônica que bate o café em cafeína — e onde a ciência traça o limite
Cura pela Natureza

A semente amazônica que bate o café em cafeína — e onde a ciência traça o limite

A semente amazônica que bate o café em cafeína — e onde a ciência traça o limite
Sementes de guaraná (Paullinia cupana), fruta nativa da Amazônia com alto teor de cafeína

Antes de virar pó em prateleira de mercado, o guaraná já era conhecido dos Sateré-Mawé, povo indígena do baixo Amazonas que domesticou a planta e a usava havia gerações em bebidas com fins energéticos e rituais. O primeiro registro escrito do fruto é de 1669, feito pelo padre jesuíta João Felipe Bettendorf. A tradição oral do povo guarda ainda uma lenda sobre a origem da planta: as sementes, com uma parte branca e outra escura que lembram uma pupila, seriam os "olhos" nascidos de uma criança sacrificada pela mata — uma explicação mítica, sem base científica, para uma característica que é, de fato, real: a semente do guaraná lembra mesmo um olho.

O que a ciência confirma é a quantidade de cafeína. Estudos brasileiros mostram que a semente seca do guaraná chega a ter entre 3,5% e 4% de cafeína em sua composição — mais que o dobro do café. Uma análise que testou 39 amostras de guaraná em pó de 13 marcas vendidas no Brasil encontrou entre 9,5 e 36,7 miligramas de cafeína por grama de pó, quantidade que em boa parte das marcas supera em até três vezes a do pó de café. Além da cafeína, a semente tem outras substâncias estimulantes da mesma família, como teobromina e teofilina, e compostos antioxidantes chamados polifenóis.

Nem tudo o que se atribui ao guaraná, porém, já foi comprovado em humanos. Pesquisas de laboratório e com animais apontam possíveis efeitos antioxidantes, cardiovasculares e até anticancerígenos, mas os próprios estudos que levantam essas pistas dizem que ainda faltam testes clínicos para confirmar dose, forma de uso e real benefício em pessoas. Ou seja: o guaraná tem cafeína comprovada, mas não é remédio comprovado.

É aqui que mora o risco. Pelas doses indicadas em alguns produtos à base de guaraná, um consumidor pode chegar a ingerir mais de 500 miligramas de cafeína por dia — acima da faixa considerada moderada e segura (em torno de 300 mg) e dentro da zona associada a sintomas de excesso, como ansiedade, tremores e palpitação. Crianças, gestantes, lactantes, hipertensos, cardíacos e pessoas com ansiedade ou insônia devem redobrar o cuidado, e vale lembrar que o guaraná soma cafeína a qualquer outra fonte já consumida no dia, como café, chá-mate, refrigerante ou energético. Este texto tem caráter informativo e não substitui orientação médica ou nutricional.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!