Início Cura pela Natureza Catuaba: a casca amazônica vendida como estimulante que nunca passou por teste em humanos
Cura pela Natureza

Catuaba: a casca amazônica vendida como estimulante que nunca passou por teste em humanos

Catuaba: a casca amazônica vendida como estimulante que nunca passou por teste em humanos
Casca de árvore na floresta: a catuaba é vendida sob esse nome a partir de cascas de diferentes espécies amazônicas.

A catuaba é o nome popular dado a cascas de pelo menos três plantas diferentes da Amazônia e do Cerrado — Trichilia catigua, Erythroxylum vacciniifolium e Anemopaegma mirandum —, vendidas misturadas ou isoladas em feiras e casas de produtos naturais de Manaus e de todo o Brasil. Usada há gerações como tônico contra o cansaço e estimulante sexual, a bebida feita com a casca fermentada ou em chá carrega fama de "levantar o astral" e a disposição, repassada de geração em geração sem receita fixa.

Em laboratório, extratos da casca mostraram atividade antioxidante e capacidade de inibir a enzima acetilcolinesterase — o mesmo alvo de remédios usados contra a perda de memória —, com desempenho próximo ao de substâncias de referência usadas como controle positivo nos testes. Em camundongos e ratos, porém, os resultados foram mais modestos do que a fama da planta sugere: o extrato não melhorou a memória em testes de condicionamento, não protegeu contra as alterações causadas por estresse, como úlcera e aumento de hormônios, e só elevou de forma discreta a atividade física e a recuperação da força em doses mais altas, efeito que os próprios pesquisadores classificaram como parcial.

Nenhum dos efeitos mais conhecidos da catuaba — nem o estímulo sexual, nem a melhora de humor citada na tradição popular — foi testado em voluntários humanos até hoje. Toda a evidência científica disponível vem de células isoladas ou de animais, e a composição química da casca varia conforme a região e a época da coleta, o que dificulta ainda mais garantir um efeito padronizado de uma embalagem para outra.

Por isso, o uso pede cautela: a catuaba não é recomendada para crianças menores de 12 anos, gestantes, lactantes e pessoas com glaucoma, hipertensão ou pré-excitação ventricular, e o excesso pode causar dor de cabeça, tontura, confusão mental e irritação estomacal. A planta não substitui orientação médica nem tratamento já em curso, e qualquer uso continuado deve ser acompanhado por um profissional de saúde.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!