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Jenipapo: a fruta que pintava guerreiros indígenas e hoje interessa à indústria farmacêutica, mas sem comprovação médica

Composto responsável pela tinta escura do fruto é estudado como corante natural, mas ciência ainda não confirma os usos medicinais populares

Jenipapo: a fruta que pintava guerreiros indígenas e hoje interessa à indústria farmacêutica, mas sem comprovação médica
Jenipapo (Genipa americana), fruta nativa encontrada da Amazônia ao Sudeste do Brasil.

O jenipapeiro, árvore de copa ampla que pode passar dos dez metros de altura, ocorre em matas úmidas que vão do Amazonas a Santa Catarina, sempre em solos com bastante água disponível. Seu fruto, de casca acinzentada e polpa adocicada, dá nome a uma das palavras de origem tupi mais conhecidas da língua portuguesa: jenipapo significa, aproximadamente, "fruto que serve para pintar". É que, ainda verde, ele libera uma substância incolor que escurece ao contato com o ar até formar um pigmento azulado quase preto, usado há gerações por povos indígenas da Amazônia para pintura corporal e marcação de identidade entre grupos.

Na cultura popular amazônica, o jenipapo maduro vira suco, doce, compota e licor caseiro, e aparece também em receitas de xarope caseiro contra tosse e dor de garganta. A casca e as folhas são usadas, em algumas regiões, como chá para problemas digestivos, enquanto a resina da casca, diluída, chega a ser aplicada como colírio caseiro. O fruto maduro é fonte de vitamina C, vitaminas do complexo B e fibras.

O pigmento escuro do jenipapo tem nome e é bem conhecido da ciência: genipina, um composto já estudado por universidades e centros de pesquisa brasileiros por seu potencial como corante natural para alimentos e cosméticos e como matéria-prima para novos materiais na indústria farmacêutica. Pesquisas também investigam a atividade antioxidante da polpa. O que ainda falta são estudos clínicos robustos em humanos que comprovem os efeitos atribuídos popularmente ao fruto contra tosse, gripe ou problemas digestivos.

Por isso, o jenipapo não deve ser tratado como substituto de remédio ou de orientação médica. O fruto verde é amargo, não deve ser consumido e pode causar mal-estar estomacal; já maduro e macio, é seguro para consumo alimentar comum. A tintura obtida da fruta mancha a pele por dias seguidos e não deve ser usada sem cuidado em crianças pequenas ou pessoas com pele sensível. Grávidas, lactantes e pessoas em tratamento médico devem consultar um profissional de saúde antes de usar qualquer parte da planta com fins medicinais.

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