Início Cura pela Natureza Parente do cacau sem o estímulo da cafeína: o que a ciência confirma sobre o cupuaçu
Cura pela Natureza

Parente do cacau sem o estímulo da cafeína: o que a ciência confirma sobre o cupuaçu

Parente do cacau sem o estímulo da cafeína: o que a ciência confirma sobre o cupuaçu
Foto por Enzo Varsi

O cupuaçu ( Theobroma grandiflorum ) é uma fruta nativa da porção ocidental da Amazônia, na região que vai do sul do Pará ao Acre, Amazonas e Rondônia. Estudos genéticos recentes indicam que a espécie foi domesticada por povos indígenas há cerca de 8 mil anos, muito antes de virar polpa de suco, sorvete, doce e licor nas prateleiras de supermercado. A árvore é prima próxima do cacaueiro — as duas espécies pertencem ao mesmo gênero botânico, Theobroma —, mas esse parentesco não se confirma no efeito que a fruta causa no corpo.

É comum o cupuaçu ser anunciado como "estimulante natural" por causa dessa proximidade com o cacau, mas a composição química desmente a fama. Levantamentos sobre as sementes mostram teores de cafeína, teobromina e teofilina bem inferiores aos do cacau, e o "cupulate" — produto parecido com chocolate feito a partir da fruta — é praticamente livre dessas substâncias estimulantes. O que a ciência de fato encontrou de relevante na polpa e nas sementes foram compostos como catequinas, quercetina, kaempferol e um grupo de polifenóis batizado de theograndinas, com atividade antioxidante comprovada em testes de laboratório — resultado que ainda não se traduziu em comprovação clínica de que o consumo da fruta previna ou trate doenças em humanos.

É na semente, e não na polpa, que está o produto mais valorizado comercialmente: a manteiga de cupuaçu, usada por indústrias de cosméticos no Brasil e no exterior. As sementes concentram cerca de 62% de gordura, majoritariamente ácidos esteárico e oleico, com ponto de fusão próximo de 30°C — bem perto da temperatura da pele, o que explica por que a gordura derrete ao toque e é tão usada como hidratante e emoliente. Essa propriedade cosmética tem respaldo técnico; já o uso da manteiga como solução milagrosa para reverter problemas de pele ou cabelo não tem o mesmo lastro científico.

Por pertencer à mesma família botânica do cacau, o cupuaçu pode representar risco de reação alérgica cruzada para quem já tem alergia confirmada a chocolate, e por isso pede cautela nesses casos. Os chás de folha, usados na tradição popular da região para problemas intestinais, renais e respiratórios, não têm eficácia comprovada em estudos clínicos e não substituem tratamento médico. Como qualquer fruta rica em fibras, o consumo em grande quantidade pode causar desconforto digestivo em pessoas sensíveis, e gestantes, lactantes e crianças pequenas devem sempre consultar um profissional de saúde antes de adotar qualquer alimento ou chá novo de forma regular.

Siga-nos no

Google News

Receba o Boletim do Dia direto no seu e-mail, todo dia.

Comentários (0)

Deixe seu comentário

Resolva a operação matemática acima
Seja o primeiro a comentar!