Quando foi anunciado que Hitler havia cometido suicídio, vários militares e seguidores dele repetiram o gesto daquele ainda considerado o maior genocida de todos os tempos.
Mas o filho do secretário particular de Hitler, Martin Adolf Bormann, um de dez filhos nazistas, doutrinado desde o nascimento, e um amigo dele, recusaram-se a atirar na própria cabeça, como muitos colegas o fizeram.
Martin Adolf, que era afilhado de Hitler, um adolescente na época, estava na Hitlerjugend, junto a outros da mesma idade, recebendo doutrinação nazista.
E ao saberem da notícia do suicídio de Hitler, vários dos meninos se entreolharam e saíram pela porta de quartel para o campo e atiraram em si mesmos, na têmpora ou no céu da boca, pois matar-se em lealdade ao líder era considerado a maior honra.
Martin e seu melhor amigo se entreolharam e até consideraram, por um tempo breve, se suicidar também, mas jogaram suas armas e saíram do prédio juntos, decidindo viver.
ANTIFASCITA
O pai dele foi condenado à morte pelo Tribunal de Nuremberg, enquanto Martin foi além, pois decidiu não só desaprender a doutrinação, como acabou se tornando um padre católico e um fervoroso antifascista, caminho seguido por outros que cresceram durante a Alemanha nazista.
Após estudar com os jesuítas, em 1958 foi ordenado sacerdote. “Não odeio meu pai”, confessou ele aos religiosos, explicando que durante muitos anos, aprendeu a diferenciar entre o pai como indivíduo e o pai como político e oficial nazista.
No ano de 1961, Martin viajou como missionário católico ao Congo, onde permaneceu por muitos anos e viveu alguns eventos traumáticos. Foi torturado e submetido a simulações de execução.
Em 1971, sofreu um grave acidente de carro e ao voltar a si, junto a sua cama havia uma mulher religiosa que cuidava dele. Apaixonaram-se à primeira vista e ambos abandonaram os hábitos e se casaram.
Ele continuou seu trabalho teológico, que foi reconhecido em toda a Alemanha, durante o pós-concílio.

