Ao contrário do que muitos historiadores ensinam, a civilização do Império Inca, que teria sido extinta no Peru, ainda tem descendentes vivos e alguns mantêm-se na política, sendo eleitos para cargos públicos.
A elite inca teria desaparecido com a chegada dos colonizadores espanhóis, mas o historiador holandês Ronald Elward Haagsma, debruçou-se em pesquisas atualizando esses dados, conforme entrevista publicada no site bbc.news.
Uma investigação sobre o DNA dos incas, conduzida pela Universidade San Martín de Porres e patrocinada pela revista norte-americana National Geographic, comprova a descoberta de famílias com ancestral, comum dos que viveram no Século 15, durante o Império Inca.
Com isso, a narrativa oficial do país que afirma que eles foram extintos é derrubada.
Haagsma chegou ao Peru em 2009 com o objetivo de descobrir o que teria acontecido com os herdeiros dos governantes incas durante os últimos anos da colonização e as primeiras décadas de independência.
Após revisar mais de 150 mil documentos e entrevistar cerca de 35 famílias, ele publicou o livro “Os Incas Republicanos”, em 2020, no qual registra os contatos com as famílias que ainda vivem perto de Cusco, a antiga capital do Império Inca.
O pesquisador encontrou documentos em Machu Picchu que remontam o Século 16, mas não há tantas informações sobre os incas e seus descendentes depois do período da Independência, ocorrida em 1821.
CONFLITOS
Os Incas tinham um império territorialmente que se estendia por mais de 4 mil quilômetros, desde Peru, Colômbia até o norte do Chile e da Argentina. Mas Haggsma concluiu que os “índios tributários” reclamavam tanto dos espanhóis quanto dos caciques.
Ele encontrou documentos mostrando que havia caciques pagando os impostos dos indígenas com sua própria renda. E que a população indígena tinha maior autonomia na época colonial porque havia lideranças próprias, que mantinham uma identidade mais independente.
No Século 17, houve um renascimento Inca, com o surgimento da pintura cusquenha, a prataria e a arquitetura desenvolvida, assim como foram criadas peças de teatro em quíchua, e a arte e os produtos com identidade indígena, que foram exportados para toda a região.
Naquela época, Cusco chegou a ser a terceira cidade do Vice-Reinado, depois de Lima e Quito, mas após a Independência, ocorrida no Século 19, membros das famílias nobres indígenas apoiaram a nova República e até participaram da política nacional durante os primeiros anos.
E esse pode ter sido o único momento em que indígenas, mestiços e crioulos brancos no Peru compartilharam um projeto conjunto de nação, sendo excluídos depois até mesmo de votar.
Após a independência do Peru, um pequeno grupo de origem europeia assumiu o controle total do Estado, criando hierarquias sociais baseadas na cor da pele, sobrenomes, costumes, idioma, tornando tudo relacionado ao Ocidente como superior.
Embora em alguns locais a descendência imperial tenha se tornado lenda familiar, entre as quase 50 famílias de descendentes incas existentes hoje, algumas pessoas mantiveram posições de prestígio, segundo o autor do livro.

