O Dia Mundial da Visão é lembrado nesta quinta-feira, sempre celebrado na segunda quinta-feira de outubro, data criada pela Organização Mundial da Saúde para chamar atenção à cegueira e à baixa visão evitáveis — problemas que, segundo a entidade, respondem por até 80% dos casos de deficiência visual no mundo e poderiam ser prevenidos ou tratados com acesso a exames e cirurgias simples.
Na Amazônia, um retrato dessa desigualdade apareceu num estudo epidemiológico conduzido em Parintins, no interior do Amazonas, que encontrou uma taxa de cegueira severa cinco vezes maior do que a registrada entre moradores de baixa renda de áreas urbanas de São Paulo. A catarata aparece como o problema mais tratado nos mutirões que já passaram pela região, mas o pterígio — uma membrana que cresce sobre a córnea, conhecida popularmente como "carne crescida" — também responde por boa parte dos casos de baixa visão, com cirurgia mais cara e complexa do que a da catarata.
A distância é o principal obstáculo: muitas comunidades ribeirinhas não têm médico nem posto de saúde por perto, e uma consulta oftalmológica nas cidades maiores pode levar meses para ser agendada. Para reduzir essa fila, equipes médicas se deslocam de barco e usam estruturas de saúde já existentes, atendendo em fins de semana e feriados, com apoio de universidades e da Marinha do Brasil — como nos mutirões que já levaram cirurgias gratuitas a municípios como Coari e Tefé.
O programa que nasceu desses mutirões, hoje chamado de Oftalmologia Humanitária, soma mais de 100 mil cirurgias oculares gratuitas e cerca de 2 milhões de consultas em cinco anos, somando atendimentos em São Paulo e em mais de 50 localidades da Amazônia — um trabalho que rendeu a instituições brasileiras o Prêmio Champalimaud de Visão, uma das principais premiações mundiais da oftalmologia.
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