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O tatu cor-de-rosa que parece montagem e quase ninguém consegue estudar

Menor tatu do mundo vive escondido na areia e some em segundos quando se sente ameaçado

O tatu cor-de-rosa que parece montagem e quase ninguém consegue estudar
O tatu-fada-rosa, ou pichiciego-menor, mede cerca de 15 centímetros e vive nos desertos do centro da Argentina

Com uma carapaça rosada e apenas 15 centímetros de comprimento, o tatu-fada-rosa parece saído de um livro de fábulas. Quando uma foto do bicho circulou nas redes sociais, muita gente jurou tratar-se de montagem digital. O animal existe, tem nome científico Chlamyphorus truncatus, também é chamado de pichiciego-menor e é a única espécie do gênero. Trata-se do menor tatu do mundo e de um dos mamíferos mais raros da América do Sul, nativo dos desertos e campos altos do centro da Argentina, onde vive em dunas de areia.

A cor rosa vem da carapaça, um exoesqueleto parecido com o de tartarugas e crustáceos, que funciona como principal defesa contra predadores. Ao se sentir ameaçado, o bicho cava tão rápido que desaparece sob a terra em segundos e usa a própria placa traseira como rolha para vedar a entrada do túnel. A estrutura serve ainda para regular a temperatura do corpo: os vasos sanguíneos da casca podem receber mais ou menos sangue, esfriando ou retendo calor conforme a necessidade.

Quase tudo o mais sobre a espécie continua desconhecido. Os pichiciegos são noturnos, passam a maior parte da vida escavando no subsolo e raramente aparecem. São tímidos e não sobrevivem fora do habitat natural, o que torna qualquer estudo difícil. Um exemplar mantido em cativeiro foi observado correndo pela gaiola e gritando sempre que algo mudava no ambiente, comportamento interpretado como possível resposta ao estresse. O animal também nunca foi visto bebendo água em cativeiro, o que sugere que retire o líquido dos alimentos.

Em 2012, a União Internacional para a Conservação da Natureza classificou a espécie como deficiente em dados, e desde então os avistamentos ficaram ainda mais raros. Os tatus não são caçados para consumo, mas há um mercado clandestino de venda como animal de estimação, no qual eles duram pouco. Mudanças climáticas, uso de pesticidas, pecuária extensiva e o avanço de cães e gatos domésticos também pressionam a população. Até agora, nenhuma lei protege a espécie.

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