Uma espécie vegetal está despertando a admiração e atenção dos estudiosos pela longevidade e capacidade de sobreviver em condições climáticas extremas, graças a seus genes duplicados.
Welwitschia é o nome da espécie encontrada pela primeira vez em 1863, desde então vem sendo alvo de muitos estudos, pela capacidade de resistir durante milhares de anos em condições duríssimas.
Uma nova análise genética publicada na Nature Communications, revelou novos dados sobre a curiosa espécie, como o fato do seu genoma duplicado permitir a alguns de seus genes fazer tarefas diferenciadas das suas funções.
Outra descoberta mostrou que a planta pode ativar certas proteínas para se proteger das condições extremas onde vive, mantendo um crescimento lento, mas sustentado, ao longo de toda a sua vida.
Espécie é nativa do noroeste da Namíbia e sudoeste de Angola, áreas que apesar de ficar perto do Atlântico, são desérticas, com um nível de precipitações inferior a cinco centímetros por ano.
Tem a forma muito característica, já que conta unicamente com duas folhas, que podem crescer de 10 a 13 centímetros por ano. Ao crescer, os extremos das folhas se esfarrapam e se enroscam entre si, gerando às vezes um aspecto similar ao de um polvo, tanto que é chamada popularmente de “polvo do deserto”.
GENES DUPLOS
A análise do genoma da Welwitschia mostrou que a planta tem todos seus genes em dose dupla, o que os especialistas chamam de “redundância genética”.
A duplicidade, ao longo de milhões de anos, permitiu que esses genes se dedicassem a tarefas parcialmente diferentes das que lhes corresponderiam.
A capacidade de se duplicar surgiu há aproximadamente 86 milhões de anos, causada pelo estresse de estar constantemente submetida a condições ambientais extremas (de temperatura, radiação ultravioleta, salinidade etc.).
Dessa forma, a Welwitschia sempre mantém ativadas uma série de proteínas que lhe permitem controlar o estresse provocado por tais condições.

