A Natura registrou prejuízo líquido de R$ 445 milhões nas operações continuadas no primeiro trimestre de 2026, ampliando as perdas em 787,6% em relação ao prejuízo de R$ 50 milhões apurado em igual período do ano anterior.
A piora do resultado foi causada principalmente pela queda da rentabilidade operacional, pressionada pela retração das vendas no Brasil e pelos custos extraordinários relacionados à reorganização da empresa. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 528 milhões no trimestre, piora de 50,3% na comparação anual.
De acordo com a companhia, o desempenho foi impactado principalmente pela variação cambial financeira negativa de R$ 261 milhões, relacionada à desvalorização adicional do dólar frente ao real em relação à taxa objeto do hedge no período.
O Ebitda caiu 46,8% na comparação anual, para R$ 346 milhões, enquanto a margem recuou 790 pontos base, para 7,3%. A Natura atribuiu a compressão da margem principalmente às despesas extraordinárias ligadas à reorganização operacional, que somaram cerca de R$ 221 milhões no trimestre.
Já a receita líquida da Natura recuou 7,7% no trimestre, para R$ 4,745 bilhões, pressionada pelo desempenho mais fraco no Brasil e pela recuperação ainda gradual das operações hispânicas.
No Brasil, a Natura afirmou que o desempenho foi afetado pela desaceleração do consumo, especialmente no Nordeste, região em que a companhia possui maior exposição. Já a Avon continuou pressionada por um período prolongado de baixa inovação antes do relançamento da marca, iniciado em março.
"A pressão do sell-in da Natura persistiu ao longo do primeiro trimestre, enquanto o relançamento da Avon só teve início no final desse período", afirmou a companhia na mensagem da administração.
A dívida líquida encerrou o trimestre em R$ 4,042 bilhões, aumento de R$ 565 milhões em relação ao quarto trimestre de 2025. A alta refletiu desembolsos extraordinários relacionados à reorganização, despesas remanescentes do processo de simplificação e o pagamento do acordo judicial com a Chapman. O índice de alavancagem subiu para 2,12 vezes.
O fluxo de caixa livre das operações continuadas foi negativo em R$ 430 milhões no trimestre, ante consumo de R$ 168 milhões um ano antes. Já os investimentos em capex somaram R$ 38 milhões no período, abaixo dos R$ 62 milhões registrados no primeiro trimestre de 2025.



