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Aceleração do PIB no Brasil reforça dúvidas sobre espaço para cortes da Selic

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Aceleração do PIB no Brasil reforça dúvidas sobre espaço para cortes da Selic
Aceleração do PIB no Brasil reforça dúvidas sobre espaço para cortes da Selic

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 29 Mai (Reuters) - A aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre do ano, com crescimento relevante do consumo das famílias, reforçou as preocupações sobre o controle da inflação e as dúvidas no mercado sobre o espaço para o Banco Central promover mais cortes da taxa básica Selic.

O PIB no primeiro trimestre do ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 1,1% ante os três meses anteriores, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de 2025. Foi o maior avanço na margem desde o primeiro trimestre do ano passado, quando houve alta de 1,3%.

Analistas chamaram a atenção, entre outros aspectos, para a elevação de 1,0% do consumo das famílias, amparado entre outros fatores pela isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil por mês. Esta foi a maior alta do consumo desde o terceiro trimestre de 2024, quando a taxa foi de 1,4%.

Ainda que os economistas projetem uma desaceleração do PIB no segundo trimestre -- período em que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a atividade tendem a ficar mais claros --, a avaliação é de que os dados do primeiro trimestre não são favoráveis ao atual ciclo de cortes da Selic, hoje em 14,50% ao ano.

"Os primeiros sinais aqui para o segundo trimestre são de uma desaceleração importante, talvez um crescimento mais próximo de zero, mas de qualquer forma (o PIB do primeiro trimestre) é um bom resultado para esse início de ano e que ajuda -- acho que não a aumentar, mas a manter -- a preocupação do Banco Central em relação à inflação", avaliou Carlos Lopes, economista do banco BV.

O mercado precifica atualmente de forma majoritária corte de 25 pontos-base da Selic no meio de junho, mas está dividido no caso do encontro de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC entre novo corte de 25 pontos-base ou manutenção da taxa básica.

Para Liam Peach, economista sênior de Mercados Emergentes da Capital Economics, a aceleração do PIB no primeiro trimestre já coloca em dúvida um corte da Selic na próxima reunião, em junho.

"Agora estamos cada vez mais inclinados a esperar uma manutenção da taxa na reunião de política monetária do próximo mês, em vez de outro corte de 25 pontos-base, para 14,25%", escreveu Peach em análise sobre o PIB.

"A economia segue em ritmo semelhante neste trimestre, com o PMI composto da S&P Global de abril apontando para crescimento do PIB de cerca de 1,0% t/t no início do segundo trimestre. Os preços elevados da energia devido à guerra com o Irã ajudaram a sustentar o dinamismo da economia nos últimos meses", acrescentou.

Alguns dados mais recentes de inflação e mercado de trabalho no Brasil não contribuíram, de fato, para reforçar a visão de um ciclo muito longo ou intenso de cortes da Selic.

A inflação medida pelo IPCA-15 subiu 0,62% em maio, acima da taxa de 0,53% projetada pelos economistas ouvidos pela Reuters, enquanto a taxa de desemprego ficou em 5,8% nos três meses até abril, abaixo dos 6,6% do mesmo período de 2025. Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram em sentido oposto, com criação de 85.888 vagas formais em abril, abaixo dos 230.000 esperados.

O fato de a próxima reunião do Copom ocorrer daqui a duas semanas e meia pode manter o espaço para um corte de 25 pontos-base da Selic em função dos dados a serem divulgados até lá.

O economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, lembra que neste encontro o colegiado já terá à disposição dados de atividade da indústria, dos serviços e do comércio em abril, a serem divulgados nas próximas semanas, e a expectativa é de que esses números já sejam mais fracos, confirmando uma desaceleração da atividade no segundo trimestre. No entanto, poucos indicadores de maio estarão disponíveis.

"Não haveria tanto tempo nem indicadores para o BC formar uma visão mais pessimista", pontuou Serrano, que segue projetando corte de 25 pontos-base da Selic em junho.

"Vemos sinais de acomodação em abril, mas há poucos sinais sobre maio. Então, o risco maior é para a reunião de agosto do Copom -- é ali que há a possibilidade de que o BC opte por parar os cortes da Selic", acrescentou.

Entre os analistas, uma das visões é de que, se as expectativas de inflação continuarem piorando ou se a atividade econômica não desacelerar como esperado nos próximos meses, o BC seja levado a paralisar o atual ciclo de cortes.

Na esteira dos números desta sexta-feira, o Goldman Sachs elevou de 1,9% para 2,2% a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, chamando atenção para o crescimento da renda das famílias.

"Combinada a um mercado de trabalho aquecido, essa dinâmica deve sustentar os gastos nos próximos meses", avaliou a instituição.

(Edição de Isabel Versiani)

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