Por Avinash P e Niket Nishant
19 Out (Reuters) - As ações francesas tiveram seu pior dia em quase duas semanas nesta segunda-feira, pesando sobre o mercado acionário europeu após a eclosão de distúrbios em cidades por todo o país no fim de semana.
O índice CAC 40, que reúne as principais empresas francesas, caiu 1,1%, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 recuou 0,9%, para 639,1 pontos.
Desencadeados pelo aumento dos preços e pela deterioração dos serviços públicos, os protestos prejudicaram o ânimo dos investidores em relação a um país que já enfrenta um crescimento fraco e um endividamento crescente.
A turbulência na segunda maior economia da zona do euro, que se soma à incerteza política antes das eleições presidenciais de 2027, também tem sido parcialmente responsável por manter o índice STOXX 600 estagnado em uma faixa estreita ao longo do último mês.
“Há claramente um risco político e isso vai significar volatilidade no curto prazo”, disse Kiran Ganesh, estrategista de múltiplos ativos da UBS Global Wealth Management.
Os bancos franceses BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole registraram quedas entre 2,5% e 3,4%. A rede de varejo Carrefour recuou 2,2%, e a operadora de shoppings Unibail-Rodamco-Westfield caiu 2%.
RISCOS POLÍTICOS NA ESPANHA GERAM CAUTELA
A incerteza política também ganhou destaque na Espanha, onde o índice de referência do mercado acionário caiu 1,5%. A convocação de eleições antecipadas para o próximo mês deixou os investidores cautelosos.
Os partidos de extrema esquerda da Espanha apresentaram, no sábado, listas de candidatos separadas para a eleição, reduzindo as chances do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez de permanecer no poder à frente de uma coalizão de esquerda.
“A Espanha enfrenta suas próprias restrições políticas em torno de orçamentos e reformas fiscais, embora o crescimento econômico mais forte ofereça alguma proteção”, disse Daniela Hathorn, analista sênior de mercado da Capital.com.
Os setores cíclicos lideraram as quedas em toda a Europa, com os bancos apresentando o pior desempenho, após uma queda de 2,2%. As ações do setor de defesa também ficaram sob pressão, caindo 1,5%.
O índice de tecnologia foi o único dos principais índices a ficar em território positivo, subindo 0,7%. Na semana passada, as ações europeias se saíram melhor do que as americanas durante uma onda de vendas em ações ligadas à inteligência artificial, em meio a preocupações com o aumento da dívida para financiar gastos com infraestrutura.
Os investidores também aguardavam os resultados financeiros de empresas de primeira linha europeias e americanas.
A fabricante de software SAP, o banco britânico Barclays e a fabricante de equipamentos de telecomunicações Nokia devem divulgar seus resultados ainda nesta semana.
Nos EUA, os resultados da Meta e das empresas de chips podem fornecer uma nova direção para os mercados acionários.
O índice pan-europeu STOXX 600 fechou em queda de 0,87%, a 639,10 pontos.
Em LONDRES, o índice Financial Times recuou 1,08%, a 10.764,69 pontos.
Em FRANKFURT, o índice DAX caiu 1,24%, a 25.303,68 pontos.
Em PARIS, o índice CAC-40 perdeu 1,11%, a 7.868,05 pontos.
Em MILÃO, o índice Ftse/Mib teve desvalorização de 1,55%, a 49.086,27 pontos.
Em MADRI, o índice Ibex-35 registrou baixa de 1,49%, a 19.039,30 pontos.
Em LISBOA, o índice PSI20 desvalorizou-se 0,78%, a 9.394,18 pontos.
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