O vice-presidente da República e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin, afirmou nesta segunda-feira, 31, que o governo precisa combinar controle de despesas com crescimento econômico para melhorar a trajetória da dívida pública e defendeu uma redução mais rápida da taxa básica de juros. Segundo ele, o principal desafio fiscal do País é melhorar a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB), sem comprometer a atividade econômica.
"Há que se fazer um esforço para melhorar a relação dívida sobre PIB, eu acho que essa é a questão central, não adianta eu corto, corto, corto e o PIB desaba, vou ter desemprego, recessão e não vou resolver o problema. A questão é aumentar o PIB segurando a despesa para melhorar a relação dívida PIB", disse Alckmin durante participação em evento do BTG Pactual.
Ele citou os governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre 2003 e 2010 como exemplo de período em que afirma ter havido melhora desse indicador.
Alckmin reconheceu que o cenário internacional é mais desafiador do que em ciclos anteriores de crescimento, em razão de conflitos geopolíticos, desaceleração econômica global e pressões inflacionárias. Ainda assim, avaliou que o Brasil possui condições de avançar simultaneamente no controle dos gastos e na expansão da atividade econômica.
Segundo ele, o País reúne vantagens competitivas em áreas como segurança alimentar, energia limpa e minerais críticos, o que pode atrair investimentos e sustentar o crescimento nos próximos anos. "Tem espaço para se segurar a despesa e fazer o PIB crescer, nós temos espaço para isso ", afirmou.
Ao comentar as metas fiscais, Alckmin defendeu a estratégia do governo de perseguir resultados primários positivos. "Vejo muitos discursos, mas vamos ver a prática", disse.
Sobre política monetária, Alckmin afirmou que os juros elevados representam um obstáculo para a economia e indicou que o Banco Central poderia acelerar o ritmo de flexibilização monetária. Questionado se a autoridade monetária pesou a mão na condução da Selic, respondeu: "É claro que entendo que o BC devia descer mais rápido os juros".
Ele afirmou, porém, que nem todas as pressões inflacionárias podem ser combatidas por meio da política monetária e que "tem coisas que não se resolvem com juros". Alckmin citou oscilações nos preços dos alimentos decorrentes de eventos climáticos e aumentos do petróleo provocados por tensões geopolíticas.
Segundo ele, elevar a taxa de juros não resolve problemas ligados à oferta agrícola nem altera o comportamento do mercado internacional de energia.
Alckmin também defendeu a continuidade de medidas voltadas ao crescimento econômico e destacou a regulamentação da reforma tributária como uma das principais agendas do próximo mandato. Na avaliação dele, a simplificação do sistema tributário contribuirá para elevar a eficiência da economia, estimular investimentos e ampliar a competitividade das exportações brasileiras.



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