A Ânima Educação anunciou a compra do Centro Universitário FMU por R$ 410 milhões, em uma operação que reforça sua aposta nas mudanças do ensino superior após o novo marco regulatório e amplia sua presença no ensino digital. A aquisição ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que deve acontecer até o final do ano.
Um dos principais atrativos do negócio, segundo a Ânima, é o desempenho da FMU no ensino digital, onde a instituição cresceu acima da média do mercado mesmo durante o período de dificuldades financeiras que enfrentou nos últimos anos. "Ela (a FMU) tem um know-how de digital que nós, com humildade, assumimos que não temos e vamos aprender", disse a presidente da Ânima, Paula Harraca.
A executiva também avaliou que as mudanças trazidas pelo novo marco regulatório do ensino superior reforçam o potencial da operação, especialmente com o avanço do ensino semipresencial. "Sempre acreditamos na hibridez. Agora, oficialmente, se abre essa oportunidade."
Com cerca de 51 mil alunos, seis câmpus na cidade de São Paulo e 214 polos de ensino a distância, a FMU é a quinta maior instituição privada de ensino superior presencial da capital paulista, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2024. A aquisição elevará em aproximadamente 15% a base de estudantes da Ânima e acrescentará cerca de 11% à receita da companhia.
O mercado reagiu mal ao negócio. As ações da Ânima registraram queda de 32,75%.
RECUPERAÇÃO
A Ânima diz também que vê espaço para recuperar a participação de mercado da FMU, que perdeu alunos após enfrentar problemas financeiros nos últimos anos. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, Átila Simões da Cunha, a instituição detinha 9% do mercado presencial da cidade de São Paulo em 2021, participação que caiu para 6% em 2024.
"Acreditamos que deve voltar ao nível de participação visto em 2021. Se isso acontecer, estamos falando de um potencial de crescimento de 50%", disse, lembrando que a perda de espaço deveu-se aos problemas financeiros e não à qualidade acadêmica. "Hoje, o maior foco da gestão não é mais administrar a situação financeira e sim entregar valor para os seus alunos."
A CEO da Ânima lembrou ainda que a recuperação de instituições tradicionais faz parte da estratégia histórica da companhia, que nasceu em 2003 do processo de reestruturação de outra instituição, a UNA, em Belo Horizonte.
Além do crescimento da receita, a Ânima espera capturar ganhos operacionais com a integração da FMU. Segundo Cunha, instituições de porte semelhante dentro da Ânima operam com margem próxima de 40%, enquanto a FMU opera hoje com cerca de 20%, o que abre espaço à redução de custos administrativos e aumento da rentabilidade.
O pagamento pela aquisição será dividido em duas parcelas, sendo a primeira de R$ 240 milhões no fechamento da operação e a segunda em dezembro de 2029, ou três anos após a aprovação definitiva pelo Cade, o que ocorrer primeiro.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.



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