FRANKFURT, 5 Mar (Reuters) - As autoridades do Banco Central Europeu esperavam que a inflação caísse ainda mais abaixo da meta antes de o conflito no Oriente Médio ter provocado aumento acentuado dos preços do petróleo esta semana, mostrou a ata da reunião de 4 e 5 de fevereiro divulgada nesta quinta-feira.
O BCE manteve os juros na reunião e sinalizou otimismo em relação às perspectivas, incluindo a força persistente do euro em relação ao dólar, reforçando as apostas de que uma mudança na política monetária não estaria na agenda por algum tempo.
“A inflação no curto prazo deve cair ainda mais abaixo da meta do que o previsto anteriormente”, afirmou o BCE na ata. “No entanto, alertou-se contra tirar conclusões fortes a partir desse único dado, especialmente devido à recente volatilidade dos preços da energia.”
As perspectivas mudaram significativamente esta semana devido ao aumento dos preços da energia, um fator importante tanto para o crescimento como para os preços, uma vez que o bloco é um dos maiores importadores de energia do mundo. Os investidores veem agora algumas chances de uma alta dos juros pelo BCE até dezembro.
Um aumento de mais de 20% nos preços do petróleo esta semana impulsionará a inflação, pelo menos no curto prazo, e várias autoridades já alertaram que, sem uma resolução rápida do conflito, poderá haver um impacto de longo prazo nos preços ao consumidor.
Mas o aumento da energia pesa sobre o crescimento a longo prazo, o que tende a conter o aumento dos preços, deixando as autoridades em um dilema.
A política monetária também é ineficaz contra aumentos de preços no curto prazo, portanto, taxas de juros mais altas só fazem sentido se o BCE acreditar que o rápido crescimento dos preços se tornará permanente.
“O BCE estava em uma boa posição do ponto de vista da política monetária, mas isso não significava que a postura devesse ser vista como estática”, afirmou o BCE.
(Reportagem de Balazs Koranyi)

