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Atividade resiliente e desancoragem de expectativas demandam juros restritivos por mais tempo, diz Galípolo

Reuters
Atividade resiliente e desancoragem de expectativas demandam juros restritivos por mais tempo, diz Galípolo
Atividade resiliente e desancoragem de expectativas demandam juros restritivos por mais tempo, diz Galípolo

24 Jul (Reuters) - O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou nesta sexta-feira que a economia e o mercado de trabalho no Brasil estão resilientes, reforçando que o cenário atual, que inclui expectativas de inflação desancoradas, demandam juros em patamar restritivo por mais tempo.

Durante participação no Expert XP 2026, promovido pela XP, em São Paulo, Galípolo avaliou que é "bastante complexo" separar atualmente o que são efeitos do choque de oferta sobre a inflação e o que é fruto de uma resiliência maior da atividade econômica brasileira.

Nos últimos dias, a reaceleração dos preços do petróleo nos mercados internacionais, na esteira do conflito entre Irã e EUA, tem reforçado preocupações entre analistas sobre os efeitos deste choque de oferta na inflação nos países, incluindo no Brasil.

Galípolo afirmou que a economia e o mercado de trabalho no Brasil estão resilientes e que há uma preocupação adicional com as expectativas de inflação.

Segundo ele, essa preocupação adicional recomenda que o BC permaneça com uma taxa de juros em patamar restritivo "por um período mais longo".

Ao mesmo tempo, Galípolo afirmou que o BC tem se colocado dependente de dados, "para que possa enxergar tendência de maneira mais clara".

A Selic está atualmente em 14,25% ao ano, e o Comitê de Política Monetária (Copom) se reunirá novamente no início de agosto para discutir uma nova taxa. No mercado, os investidores estão posicionados de forma majoritária para uma nova redução de 25 pontos-base, mas há dúvidas sobre a continuidade deste processo de cortes nos meses seguintes, em parte por conta da disparada do petróleo.

Questionado sobre a visão do BC sobre a reaceleração recente dos preços da commodity, Galípolo evitou se aprofundar no assunto.

"Do ponto de vista do choque de petróleo e com um conflito (no Oriente Médio), a gente vai acompanhando o dia a dia, como é que está sendo o desdobramento", afirmou.

(Reportagem de Bernardo Caram; texto de Fabrício de Castro; edição de Isabel Versiani)

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