Por Leika Kihara
21 Mai (Reuters) - O Banco do Japão recebeu alguns pedidos para pausar seu plano de redução de títulos, segundo sua pesquisa com investidores, já que as recentes oscilações bruscas no mercado de títulos ofuscam a revisão do plano de aperto quantitativo prevista para o próximo mês.
Embora outros tenham optado por manter o ritmo moderado da redução, um investidor disse que o banco central do Japão deve estar pronto para operações emergenciais de compra de títulos se os mercados se tornarem instáveis, segundo um resumo da pesquisa divulgado pelo banco central nesta quinta-feira.
O resumo destaca o desafio que o banco enfrenta para reduzir suas participações em títulos do governo japonês (JGB) em um momento em que os crescentes temores inflacionários devido ao conflito no Oriente Médio estão deixando os mercados de títulos nervosos.
Em sua próxima reunião de política monetária, em junho, o Banco do Japão revisará seu atual programa de redução de títulos que vai até março de 2027 e apresentará um novo plano para o ano fiscal de 2027 em diante.
O banco vem reduzindo suas enormes compras de títulos desde 2024 e atualmente adquire cerca de 2,1 trilhões de ienes (US$ 13,22 bilhões) em JGBs por mês.
Em uma pesquisa antes da revisão de junho, alguns investidores pediram ao banco central que pause a redução de seus títulos a partir do próximo ano fiscal e continue comprando no ritmo atual, informou a autoridade monetária.
"É improvável que (a compra de) 2,1 trilhões de ienes distorça o funcionamento do mercado", disse uma instituição financeira citada na pesquisa, opinião que foi compartilhada por outro investidor.
Outros, no entanto, pediram que o Banco do Japão continue a desacelerar sua compra de títulos, com alguns argumentando que ele deveria eventualmente desacelerar as compras mensais para cerca de 1,3 trilhão de ienes ou até mesmo para zero, mostrou o resumo.
"O Banco do Japão deve continuar a reduzir a um ritmo trimestral de 200 bilhões de ienes, de modo que a compra (mensal) de títulos acabe diminuindo para cerca de 1,3 trilhão de ienes, que é o nível que vinha comprando antes da crise do Lehman", disse um investidor.
A redução dos títulos detidos pelo banco central, de cerca de 500 trilhões de ienes atualmente, está em andamento desde 2024 sob o comando do presidente Kazuo Ueda, à medida que o banco se movimenta para normalizar a política monetária após décadas de taxas de juros ultrabaixas.



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